A  QUESTÃO  DA  ÉTICA
EM  TEMPOS  DE  FIM  DE  SÉCULO

  

Professora  Doutora Fabíola Zioni
Texto resumido por Dr. Paulo F. M. Nicolau 

  

O século XX foi marcado por significativas transformações políticas e grandes experimentações sociais. Com a Revolução Russa, um modelo socialista de desenvolvimento surgiu, tencionando resolver questões como a pobreza e a desigualdade, por intermédio de um sistema econômico de planejamento central e da erradicação da propriedade privada, promovendo a afirmação política de novos sujeitos e movimentos sociais.

Porém, com a permanência de antigos problemas e agravamento de questões como a violência, o desemprego, a estagnação política, entre outras, emerge a importância da relação entre a “questão social” e a prevalência das leis do mercado e da economia sobre a discussão político-ética a respeito dos direitos, deveres e justiça, uma vez que, movimentos ecológicos, indígenas, de mulheres, assim como o próprio drama da realidade contemporânea desafia os valores estabelecidos e elege a questão ética como ponto central de discussão.

Nos anos 50-70, grandes transformações ocorreram em função do planejamento estatal e da economia e de estratégias de desenvolvimento - promovendo a urbanização e a industrialização - produzindo mesmo que às custas da degradação ambiental, um crescimento econômico inusitado que permitiu ao Estado administrar a modernização econômica, a industrialização, a garantia de emprego e procurando ainda eliminar a desigualdade social com políticas de seguridade e previdência social. Essa época é marcada também pelo aumento da inserção da população dos países em desenvolvimento nos mercados nacionais. 

Além de salientar a diferença entre pobres e ricos, essas décadas geraram problemas a partir da própria ideologia da época, que tinha no crescente domínio da natureza pelo homem, o avanço certo da humanidade. Assim, surgiram problemas ecológicos como poluição excessiva e desgaste de fontes não renováveis de energia como o petróleo e conseqüentemente na crise dos anos de crescimento.

A crise dos anos 80 atingiu a todos os países.Para aqueles em desenvolvimento as conseqüências foram estagnantes, caracterizando essa como a “década perdida”, na qual o crescente aumento do endividamento externo agravou a qualidade de vida e elevou os índices de pobreza.

Houve assim, uma redução no papel do Estado, o que dificultou a reordenação do mercado e das atividades produtivas indispensáveis na administração da crise, e no enfrentamento da pobreza e da violência, caracterizando indiferença ou evidenciando a incapacidade dos governos diante da questão social.

No início dos anos 90, os organismos financeiros exigiram inúmeros compromissos que garantissem as renegociações das condições de pagamento. Dessa forma, a questão social foi substituída por políticas de contenção de inflação, fazendo com que a lógica contábil prevalecesse às exigências da vida.

Como parte da filosofia que estuda os fundamentos da ação humana, a ética pode propor a reformulação de valores, a reflexão sobre condutas, enfim, novas formas de atuação em relação a questões sociais.