Cérebro melhora com o tempo



Revista: Viver Mente&Cérebro
O legado de Freud – Abril 2006 - Ano XIV nº 159





         PARA REALIZAR TAREFAS DIFÍCEIS, ADULTOS E VELHOS RECORREM A MAIS ESTRUTURAS CEREBRAIS


         FISIOLOGIA DOS SENTIDOS


         Percepção pessoal das cores varia pouco

         Pesquisadores tornaram visível, pela primeira vez em pacientes vivos, a separação dos três diferentes tipos de células sensíveis a cor presentes na retina: alguns bastonetes atingem maior sensibilidade sob a luz azul, com ondas de cerca de 420 nanômetros, outros, sob o verde (535 nanômetros) e alguns sob vermelho (565 nanômetros).

         Heidi Hofer, da Universidade de Rochester, Estados Unidos, utilizou uma técnica de laser originalmente desenvolvida por astrônomos: ela corrige distúrbios atmosféricos na captação de imagens a partir de uma lente de alta definição que permite observar no olho humano quais células reagem de forma sensível a qual tipo de luz. Quatro pacientes foram solicitados a ajustar um foco de luz, contínuo e regulável, exatamente na cor amarela. Todos eles escolheram ondas quase idênticas, a percepção subjetiva de amarelo coincide. Como a análise da retina indicou, a participação dos três tipos de bastonete varia consideravelmente. Em algumas pessoas a disposição de receptores vermelhos e verdes é quase a mesma, em outras essa relação pode ser de até 1:40. A respectiva impressão das cores era, contudo, semelhante e admite apenas um desfecho: não é o disco rígido do olho que decide, mas a interpretação dos sinais no cérebro. E aqui, convenções lingüísticas e sociais perdem o sentido.

         Muitos dos estudos sobre envelhecimento do cérebro têm focado suas deficiências, mas duas novas pesquisas mostram que o órgão do pensamento é como vinho: melhora quando fica mais velho.

         Cindy Lustig, da Universidade de Michigan, usou imageamento por ressonância magnética funcional (fMRI) para observar o cérebro de jovens adultos (de 18 a 30 anos) e de pessoas maduras enquanto eles tentavam resolver tarefas fáceis e difíceis. Nas tarefas fáceis, a atividade cerebral era bastante parecida, mas os desafios mais difíceis resultavam em diferenças significativas. As pessoas mais velhas ativavam várias regiões frontais do cérebro que não eram ativadas pelos mais jovens. Além disso, os mais jovens “desligavam” as partes do cérebro que não eram usadas durante as tarefas, mas as pessoas maduras mantinham essas regiões em funcionamento.

         Michela Gallagher, da Universidade Johns Hopkins, comparou o cérebro de ratos de 6 meses de idade com o cérebro de ratos de 2 anos (velhos para ratos). Sua equipe também dividiu os ratos em dois grupos: os afetados negativamente pelo envelhecimento e os não afetados. Quando
Gallagher comparou as sinapses, descobriu que os ratos afetados pelo envelhecimento haviam perdido a capacidade de ajustar a atividade sináptica, o que não acontecia com os animais não afetados pelo envelhecimento. É por meio dessas conexões que as memórias são formadas e preservadas.