ANAMNESE BIOGRÁFICA

Geraldo Caldeira
José Diogo Martins

INTRODUÇÃO

        A psicossomática, também denominada medicina da pessoa, holística e do encontro, sempre aponta para a tentativa de atendimento médico, cada vez mais abrangente. É, por intermédio das consultas, que o médico encontra os recursos necessários para investigar e ampliar o diagnóstico nas fases da doença, do doente, do mundo externo, das condições da pessoa doente para receber o tratamento indicado e dos meios de se obter uma preparação adequada para se chegar, com segurança e estabilidade, à terapêutica. A história da pessoa se destaca na fase de diagnóstico do abrangente na prática médica, e a Anamnese Biográfica, a partir da anamnese clássica nas sucessivas consultas, é o principal instrumento para a sua compreensão.

        Anamnese significa informação acerca do princípio e evolução da doença até a primeira observação do médico. Esta anamnese se torna Biográfica ao se articular à história de vida do sujeito, a partir do início de sua existência. Não se trata da história natural da doença, segundo o modelo do saber constituído da medicina científica, mas da história vivenciada pela pessoa.

        O objetivo deste trabalho é levar os interessados na vertente medicina da psicossomática a um aquém e a um mais além dos dados concretos, colhidos na anamnese clássica, para deixar o médico, diante dos dados obtidos, em condições de sempre se perguntar: de onde vem? Tem a ver com o quê? Em que situação se originou? Quais as conseqüências possíveis dos dados a curto, médio e em longo prazo? O que se percebe é que este mais além implica em levar o médico a um não saber, inquietar-se e propor questões. Em psicossomática não tem jeito de ser de outra forma. Aliás, no exercício da medicina, não deveria ser de outro modo.

        O estudo da vida do doente como ele a vivencia e as circunstâncias de vida dentro das quais ele faz seus sintomas ou doenças são contribuições importantes para se chegar ao abrangente na prática médica e para se promover um relacionamento eficaz e útil do ponto de vista terapêutico entre doente e médico. Esta abordagem é um caminho. Também, pode-se dizer que são pinceladas iniciais de um quadro a ser pintado pelos dois do encontro, em que a conclusão dependerá da continuidade, do interesse e de seus envolvimentos.

“A criança é o pai do adulto”
Freud


        Esta é uma citação freudiana, mas outros autores também demonstraram que os primeiros anos de vida, palco das vivências fundamentais das relações da mãe com o filho, são determinantes da saúde mental. O exercício da Anamnese Biográfica é ir em busca desta fase de vidas arcaicas ou desta origem com as marcas, cicatrizes e significantes. As questões não são e não devem ser levantadas logo nos primeiros contatos com o indivíduo, mas assim que possível. Muitas delas são indagações do profissional para si mesmo, cujas respostas poderão surgir durante o relato espontâneo do doente. Convida-se a pessoa a falar livremente a respeito da sua vida, da sua família ou da sua infância. O caminho inicial, a ser percorrido pelos dois, deve ser o escolhido pelo doente, mas sem invasões e apressamentos. Propõe-se, a seguir, estudar essas indagações a partir de uma papeleta da anamnese clássica, usada na rotina médica.


Nome

        Quem o escolheu? Por que foi escolhido? O que o sujeito sabe sobre ele? Gosta do seu nome? Remete a uma missão de bravura, heroísmo, martírio ou santidade? Ao masculino e ao feminino ao mesmo tempo? Traz o registro de sucesso ou de fracasso familiar? Tem apelido? Como prefere ser chamado? Uma paciente somatizada, deprimida, em resposta a uma dessas indagações, diz que todos os nomes de seus vários irmãos foram escolhidos pelo pai, menos o dela. Se este fato ficou gravado é porque existe "alguma coisa". Quando uma paciente morre queimada e tem o nome de Joana D'Arc, deve-se pensar que já "nasceu" mártir. Como se comporta, em relação aos afetos, uma pessoa com um nome tipo "Napoleão Pacífico”? Nas últimas décadas a escola lacaniana tem trabalhado muito a importância de se assinalar o Nome-do-Pai na estruturação do sujeito e nas manifestações psíquicas. Esta escola retoma o pensamento:

“Aquilo que herdaste de teu pai, conquista-o para fazê-lo teu"
Goethe


        O nome se inscreve nessa herança e de que forma para esta ou aquela pessoa? Serge André traz um trecho do poema Romeu e Julieta, muito a propósito:

“Ó Romeu, Romeu? Por que és Romeu? Renega teu pai e abdica de teu nome; ou se não o quiseres, jura me amar e não serei mais um Capuleto (...) Teu nome apenas é meu inimigo. Tu não és um Montecchio, és tu mesmo (...) Ó! Sê algum outro nome! O que há num nome? O que chamamos uma rosa teria o mesmo perfume sob outro nome (...). Romeu, renuncia a teu nome; e em lugar deste nome, que não faz parte de ti, toma-me toda”.
W. Shakespeare


A Data de Nascimento

        Pensar em torno dessa data é mais significativo do que apenas anotar a idade do doente, porque o dia em que se nasce pode remeter a pessoa a datas natalinas, mortes e outros eventos significativos para toda a família. Assinalar, por exemplo, se o doente em estudo nasceu por ocasião da perda de pais, irmãos, avós ou durante qualquer vivência de luto; se nasceu numa data de comemoração universal do tipo primeiro de janeiro, Paixão, Páscoa, Natal, Dia do Trabalho, dia santificado, até se chegar ao santo do dia; ou se o seu nascimento coincidiu com datas de festejos nacionais, do tipo Dia da Inconfidência, do soldado, da pátria, do engenheiro, do médico e outras relacionadas à vivência de cada um. Quanto à idade atual, assinalar em que fase da vida ele está, pois cada etapa remete a uma problemática em particular. Verificar se é uma criança e se está na fase edipiana ou se se trata de um adolescente, de um adulto jovem, de uma mulher na menopausa ou de uma pessoa envelhecida.

O Sexo

        Como se sente em relação ao sexo? Há identificação psíquica? O que sua família menciona a respeito? Há correlação com o nome?


A Cor

        Traz-lhe satisfação? Complexos? Dificuldades?


O Estado Civil

        Se casado, há quanto tempo? É o primeiro casamento? Qual é o nome e a idade do cônjuge? Se é desquitado, há quanto tempo e por que motivo? Se viúvo, há quanto tempo? Se solteirão ou solteirona, o que acha desta situação? Há motivos claros, ou se deve pensar em problemas na área de relacionamento e na área sexual? Há mais irmãos ou tios em situações semelhantes?


O Endereço Atual

        Há quanto tempo reside no mesmo endereço? Gosta dele ou não? Por quê? A moradia é própria, alugada ou casa de parentes? Ela é do tipo "já vi tudo", onde não se pode ter privacidade? Quantas pessoas dormem no mesmo quarto?


A Cidade Onde Nasceu e Procedência

        Qual é o padrão cultural da cidade? Trata-se de uma cidade agressiva ou calma? Se é do interior, com que idade veio para a cidade grande? Veio só, acompanhado, por que motivo e como foi a adaptação? Houve sintomas ou doenças orgânicas e psíquicas nesta ocasião? A família é do tipo itinerante, com mudanças freqüentes de endereço e de cidade? A criança, geralmente, não participa ou não é ouvida nas decisões de mudanças de cidade e endereço; perde amigos, a origem e o "canto". Por isso mesmo, deve-se ter em mente que nas mudanças sem adaptações pode ocorrer a eclosão de fenômenos psicossomáticos, de vivências persecutórias e de despersonalizações.


A Profissão

        Qual é a profissão? Foi de sua escolha? Ela é igual à do pai, da mãe ou de outro elemento significativo da família? Sempre teve a mesma profissão ou houve mudanças e com que freqüência? Seu exercício é tranqüilo? Existe conflito consigo mesmo, com os colegas ou com os chefes? Como é o ambiente de trabalho?


A Religião

        Qual é a religião e desde quando? Foi de livre escolha? Há conflito com a sua prática? Mudou de religião, por que e há quanto tempo? O retorno ou procura religiosa freqüentes em situação de desamparo, sentimentos de culpa e nas vivências delirantes ou psicóticas são bem conhecidas.


Os Primórdios da Vida

        Realmente é importante saber como transcorreram a gestação, o trabalho de parto e as condições do bebê ao nascer. Muitas pessoas informam que não foram desejadas e que ocorreram tentativas de abortamento durante a sua gestação, e ainda comentam sobre as cobranças maternas de como foram difíceis a gestação e o parto. Sobre a evolução de cada um é bom saber quando andou, falou e sobre a época do aparecimento dos dentes. Amamentou-se na mãe, ama-de-leite ou mamadeira? Até quando? Como se deu o desmame? Chupou bico ou dedo? Até quando? O desmame é uma perda vivida pela criança, com grande repercussão psíquica, constituindo-se mesmo em uma situação traumática. Por outro lado, o prolongamento do uso do bico, às vezes, até a adolescência, nos informa a respeito de uma personalidade muito infantilizada, com sérias dificuldades para separar-se da mãe e de chegar à sua individualizar.

        O seu sexo foi o desejado e esperado pelos pais? Em caso de frustrações dos pais, estas foram percebidas ou verbalizadas? Os cuidados higiênicos foram adequados ou rigorosos a ponto de a criança rebelar-se contra elas? O fornecimento dos alimentos era realizado com calma, ansiedade ou imposição? Exemplo: um adulto, portador de disfagia prolongada, sem causa orgânica, lembra-se de que no período de infância, durante todo o tempo da refeição, sua mãe permanecia de pé ao seu lado para o obrigar a comer. Em casos de recusa alimentar como este e outros, imagina-se que a relação da mãe com o filho ficou a desejar. Houve doenças na primeira infância? De que tipo? Ameaçaram a sua vida? Foram prolongadas e "deram muito trabalho"?

        Com o tempo, percebe-se que muitos sintomas ou "doenças" da época da infância já eram as primeiras manifestações psicossomáticas do ser, principalmente se foram do tipo dermatológicas, alérgicas e asmatiformes. A presença de convulsões ou doenças graves, com freqüência, provoca inquietações nos pais e a relação com o filho fica marcada pelo medo e nos exageros de cuidados.

        A vida lhe é apresentada como muito ameaçadora. Alguns sintomas do tipo terror noturno, insônia, fobia por animais e enurese noturna são colocados como denunciadores de neurose infantil. Em sua individuação, no sentido psicológico do termo, a criança precisa separar-se da mãe. Muitas vezes necessita usar o que se denomina de "objeto transicional". Estes objetos são os famosos travesseiros, os panos sujos, as chupetas velhas para cheirar, os bichinhos de pelúcia e outros brinquedos macios. Todos eles inseparáveis da criança, principalmente na hora de dormir. Às vezes até adultos conservam alguns desses objetos e só viajam com eles. Portanto, deve-se sempre pesquisar a existência desses objetos, pois ela fala de uma relação mãe-filho adequada, cuja separação se prolongou por mais tempo. O médico deve ficar atento para o fato de que os remédios ou alguns aparelhos prescritos de uso temporário, verdadeiros substitutos dos objetos transicionais, tornam-se inseparáveis e permanentes elementos de segurança para alguns indivíduos.


Jogos e Brinquedos

        As indagações sobre os eles visam a obter elementos importantes, referentes ao desenvolvimento e à identificação sexual. A criança demonstra por meio da atividade/passividade uma resposta do tipo masculino/feminina de comportamento. Percebe-se pelos jogos se a resposta é ou não compatível com o fenótipo. Os companheiros são sempre do mesmo sexo? Há distorção no modelo esperado e com que idade isso aconteceu? Ao brincar, demonstrava atitudes sádicas evidentes em relação aos companheiros, aos brinquedos e aos animais? Assinalar ainda se o indivíduo em estudo era muito controlado, em relação à limpeza, aos cuidados com a roupa, os tipos de brincadeiras preferidas e se houve ou não jogos eróticos na sua história de vida.


Escolaridade

        É uma fase de dados significativos para a criança. Trata-se de nova experiência de separação, de integração no grupo e de relação com autoridades fora do ambiente do lar. Quando começou a freqüentar aulas e de que forma isto se deu? Com facilidade ou dificuldade? Foi com choro duradouro, com a presença da mãe ou babá junto ao estabelecimento de ensino? Adoeceu na época? Teve de interromper o estudo devido a essas dificuldades? Tomou atitude de afastamento ou de proximidade, tipo "barra da saia", em relação aos professores? Foi rebelde, expulso ou teve de mudar de colégio? Apresentou medo, timidez ou liderança em relação aos colegas? Participou de jogos coletivos, e qual foi sua reação diante das derrotas? Passou férias com colegas e fora do ambiente da família? Nesta fase conseguiu ficar sem problemas, longe dos pais, em viagens? Como foi o desempenho escolar? Bom aluno, brilhante, sempre o primeiro, ou tomou bombas? Sentia-se apoiado, criticado e desestimulado pelos pais?


História Sexual

        O que aprendeu sobre sexo? Como foi? As experiências sexuais foram sadias ou traumáticas? Teve parceiros? Do mesmo sexo? Da mesma idade? Quando? A masturbação esteve presente ou ausente? No caso de estar presente, trazia prazer? Com ou sem culpa? Foi castigado por causa de masturbação? Com que idade teve experiências sexuais genitais? Sucesso ou fracasso? No caso de fracasso, ele foi único ou repetido? A atividade sexual é moderada ou do tipo compulsiva? Os assuntos sexuais eram omitidos ou livremente abordados em família? Quando ocorreu a menarca? Estava preparada? Que fantasias fez? A menarca foi ou não bem recebida? Por quê? Percebeu as repercussões físicas ou hormonais da puberdade? A vivência da menarca é de grande significação para a identidade feminina. Há relatos interessantes de a mulher ter se sentido suja, nojenta, ser "mulher da rua" e ter de se esconder. Pergunta-se se é esconder de si mesma, da mulher que surge ou fugir da sexualidade evidente, com todas as fantasias e sentimentos a respeito da "mulher, ser em falta".


Adolescência

        Esta é uma das fases mais turbulentas do ser humano. Muitos conflitos adormecidos são ressignificados com intensidade suficiente para provocarem distúrbios de comportamento, manifestações psicossomáticas, adição a drogas e brotos psicóticos. Esta fase é decisiva para o sujeito adquirir ou não sua identidade. Dentro desse processo, a rebeldia, o não, a fuga e os grupos tornam-se imperiosos. Como a adolescência foi vivida? Os eventos foram aceitos ou não pelos pais? Qual é a intensidade dos problemas surgidos? Duradouros? Com ou sem seqüelas? Houve recolhimento do sujeito para um tipo "bonzinho" e a fase passou sem turbulência? Quais sintomas ou doenças estavam presentes na época? Houve procura sexual intensa, perversões ou comportamento homossexual? Só nessa fase ou persistiu? Deve lembrar-se de que a homossexualidade muitas vezes relaciona-se com essa busca de identidade na adolescência, daí o fato de intensificar-se ou surgir nesse período. Ao fugir da sexualidade, ou do corpo que se apresenta para tal, com freqüência surgem quadros clínicos de obesidade temporária ou mesmo de curso prolongado.


Casamento

        Qual foi o tempo de namoro e noivado e como o/a conheceu? Qual é o nome do cônjuge? É semelhante ou igual ao do sogro ou sogra? Qual a idade do cônjuge? A diferença de idade é significativa? O temperamento e a personalidade são semelhantes aos do sogro e da sogra? O comportamento afetivo e sexual do casal é satisfatório ou frustrante? No caso de ser frustrante, as saídas pensadas são reais ou são só fantasias? O casamento se deu por livre escolha ou foi forçado? Exemplo: uma paciente internada, devido a uma disfagia rebelde e sob ameaça de intervenção cirúrgica, relata que nunca teve possibilidade de escolha na vida. Filha adotiva, não teve oportunidade de escolher os brinquedos, os companheiros de infância, local de estudo e esperava fazer isso ao se casar. Nova desilusão, pois o marido lhe foi imposto. Como resultado de tudo, surgiu a disfagia, como única forma possível de protesto: "Chega, basta, não engulo mais". Ao se referir à alimentação no passado, seu inconsciente "falou" novamente por meio de um ato falho: "Na hora da lamentação". Portanto, foi este típico produto do inconsciente, representado pelo ato falho, que permitiu o relato acima.


Filhos

        Quantos? Os nomes foram escolhidos por quem? Qual é o sexo de cada um? Foram desejados ou não? Idades, comportamentos e estado de saúde? No caso de falecimentos, quando ocorreram, quais as causas e como se realizaram as vivências de luto? Satisfeito ou não com os filhos?

        Sabe-se que muitos projetos existenciais não realizados pelos pais são transferidos para os filhos, passando estes a carregar o estandarte das ilusões paternas, ou se rebelam, provocando marcantes ressentimentos.


História Familiar

        Como via seus pais enquanto pessoas? Como eles se relacionavam? Expressavam afeto, desejos sexuais diante dos filhos? Abertos ou fechados ao diálogo? Quantos irmãos têm, quais os nomes, a idade, sexo e temperamento? Qual é a diferença de idade entre o acima e o abaixo de si? Trata-se do primeiro, caçula, ou do meio? Como sentiu o seu lugar na família? Percebia as diferenças de sentimentos dos pais em relação aos irmãos como positivas ou negativas? Dormia no quarto dos pais e até que idade? Como é ou era o relacionamento entre os parentes e qual o lugar social da família? Assumiu de modo passageiro ou permanente algum papel importante no grupo familiar? Após o casamento, afastou-se voluntariamente ou não de sua família? Se os pais estão vivos, qual o estado de saúde, nomes, profissões e temperamentos deles? Se falecidos, qual é a idade do filho em que isso ocorreu? A importância da perda se verifica ao se correlacionar as influências traumáticas vividas pelas crianças com os freqüentes episódios de fenômeno psicossomático na idade adulta. Quando a morte se dá na fase edipiana ou de adolescência, ocasiões em que as correntes ambivalentes de sentimentos em relação aos progenitores estão muito acentuadas. Estas perdas são marcantes e podem-se traduzir em alterações clínicas ou psíquicas no futuro. Torna-se necessário, também, saber das conseqüências da morte dos pais para a estruturação e o seguimento da família, pois nestas circunstâncias algumas famílias se desintegram.


Trabalho

        Quando começou a trabalhar e por que motivo? Muda com freqüência de emprego e o que pensa sobre isto? Está satisfeito ou frustrado com o trabalho? Se há conflitos profissionais, qual é o motivo? Faz do trabalho uma atividade prioritária? Verifica-se aqui outra característica do fenômeno psicossomático. Consiste de uma adesão exagerada de certos indivíduos ao trabalho, tornando-se autênticos "laboraditos". Portanto, esta pseudonormalidade do sentir é uma "escolha" da pessoa para lidar com os momentos de prováveis dificuldades existenciais. O trabalho irá ocupar o lugar de uma figura protetora; a mãe como exemplo.


Conclusão

        Por meio destes e de outros dados semelhantes, a Anamnese Biográfica torna-se um instrumento de absoluta necessidade no exercício da psicossomática, visando à compreensão da pessoa que se atende dentro de um contexto global. De acordo com as respostas às questões já formuladas, uma rede de significantes se forma em torno da pessoa. Esta rede nos permite fazer hipóteses de diagnóstico e expectativas de comportamento; analisar as aptidões para o processo terapêutico; vislumbrar os resultados e fracassos prováveis. Ainda, permite detectar o fenômeno psicossomático, o qual se apresenta, com freqüência, em indivíduos com características que se definem como "operatórias ou alexitímicas". A Anamnese Biográfica por si só não define nada, mas se articula com os outros achados da consulta médica e com os desdobramentos da relação entre o médico e a pessoa do doente.

 

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