ATRIBUTOS DE UM “BOM PROFESSOR” DE UM CURSO SUPERIOR EM SAÚDE
 
 
 
Prof. Dr. Nildo Alves Batista
UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo
Escola Paulista de Medicina
 
 
 
 
 
Ter um conhecimento sólido e atualizado no seu campo de docência. Ao ministrar sua disciplina não se restringir a um só autor ou a um só livro. Estabelecer relações entre os vários aspectos de sua disciplina e situações práticas ou acontecimentos reais.

Participar, ativamente, da produção do conhecimento em sua área. Estar envolvido em pesquisas, referindo-se frequentemente à literatura disponível, comentando as tendências atuais.

Dominar as técnicas necessárias ao desempenho de sua área de atuação, demonstrando firmeza no treinamento de habilidades.

Nas atividades teóricas, expor em linguagem clara e informal; em rítmo pausado e com boa dicção. Utilizar de diferentes formas de ensinar (procedimentos diferenciados para diferentes formas de ensinar). Estimular a participação e a discussão dos alunos a respeito de diferentes pontos de vista acerca do que está sendo exposto.

Nas atividades teóricas, chamar a atenção dos alunos para os aspectos mais importantes do que sendo exposto, destacando as idéias fundamentais a serem refletidas e assimiladas. Retomar aspectos importantes e fazer uma síntese (ou organizar atividades que levem os próprios alunos a fazerem essa síntese) relacionando os diferentes aspectos e proporcionando uma visão holística da medicina.

Nas avaliações, procurar mecanismos para que o aluno tenha que demonstrar capacidade de raciocínio e de organização do conteúdo ministrado, não se limitando à memorização do que foi dito em classe.
Iniciar a sua disciplina explicando para os alunos seus objetivos, bem como sua dinâmica e os mecanismos de avaliação propostos. Procurar relacionar sua disciplina com a futura prática profissional do aluno em formação.

Nas áreas clínico-cirúrgicas, privilegiar uma formação técnica compëtente (incluindo conhecimentos e habilidades) nas patologias mais prevalentes, procurando capacitá-los para seu diagnóstico, tratamento e prevenção.
Procurar capacitar seus alunos para orientar, didaticamente, os pacientes e familiares quanto a tratamento, profilaxia e prognóstico das patologias.

Nas atividades docentes perante o paciente, preocupar-se e, constantemente, estimular seus alunos para a humanização do atendimento à saúde.

Utilizar e referir-se à tecnologia como uni recurso auxiliar do profissional de saúde, evitando desenvolver nos alunos o fascínio e a supervalorização desta em detrimento a uma adequada semiologia e relacionamento médico-paciente.

Preocupar-se com a dimensão inter-pessoal do relacionamento professor- aluno. Ser autêntico nesse relacionamento e mostrar-se consciente do potencial significado de sua atuação como referência ao futuro profissional.

Demonstrar que valoriza a disciplina em que atua como docente e o profissional que essa forma. Estimular o aluno em direção a um ideal.

Explicitar, discutir, procurar conscientizar os alunos acerca dos determinantes curriculares do curso médico, possibilitando uma formação não dissociada do sistema de saúde vigente.

Discutir com os alunos visando entender sua participação e seu engajamento como elemento integrante de uma equipe de saúde.

Passar aos alunos a dimensão sócio-biológica do processo saúde-doença. Enfatizar o “homem doente” e não a “doença do homem”.

Demonstrar que gosta de ensinar e que valoriza o seu trabalho docente.
Demonstrar entusiasmo e dinamismo corno animador do processo ensino- aprendizagem.

Orientar os alunos no seu processo de aprendizado: utilizar de estratégias que estimule o aluno a aprender fazendo a a construir ativamente o seu próprio conhecimento (aprender a aprender).
Preocupar-se em desenvolver em seus alunos um processo de Educação Permanente empregando metodologias adquadas de auto-aprendizagem.


Procurar estimular o interesse do aluno pela pesquisa entendendo o aprender e apreender as bases do método científico como instrumentalização à futura atividade professional.