Iatrogenia
 
          A iatrogenia é um tema amplamente discutido por permear a medicina desde as primeiras tentativas de cura que se tem conhecimento na história, até o momento atual.

          Sanvito,(1994) no capítulo 7 do livro A Medicina tem Cura define iatrogenia como: "um estado anormal produzido no paciente pelo médico, por procedimento inadvertido ou equivocado".

          Pereira et al (2000) registra que "O termo iatrogenia deriva do grego (iatros = médico/gigesthai = nascer, que deriva da palavra genesis = produzir) e significa qualquer alteração patológica provocada no paciente pela má prática médica".

          Conforme as definições citadas, iatrogenia é a reação do paciente frente ao ato médico, não é, portanto, o erro médico em si, mas decorre de erro médico, ainda que por procedimento "inadvertido ou equivocado".

          Pereira et al (2000) considera dois tipos de iatrogenia:"1) iatrogenia de ação - aquela que ocorre pela ação médica, desde a relação com o paciente, passando pelo diagnóstico terapêutico, até a prevenção. Caracteriza imprudência ou imperícia médica. 2) iatrogenia de omissão - aquela que ocorre pela falta de ação do médico, quer no diagnóstico, quer no tratamento, portanto ato negligente".

          Efeitos medicamentosos indesejados podem ser considerados como iatrogenia? Neste caso a iatrogenia ficará caracterizada somente se o médico não tiver conhecimento desta possibilidade na avaliação do risco, pois outra droga, menos tóxica, poderia ter sido indicada. Também será caracterizado iatrogenia se, além da falha do profissional em reconhecer os efeitos colaterais, este insistir na terapêutica já demonstrada como ineficiente (PEREIRA, 2000).

          Sendo assim, não se pode confundir iatrogenia (ação resultante do efeito colateral de um tratamento médico inadequado, da má orientação ou inabilidade médica) com situações decorrentes de determinados procedimentos que advém de um correto tratamento no qual poderão ocorrer efeitos colaterais indesejáveis inerentes; pois, a primeira resulta na responsabilidade civil médica e, a segunda é uma decorrência normal de uma aplicação terapêutica adequada, a exemplo de um tratamento quimioterápico em casos de câncer, que implica na perda de cabelos do paciente.

          Atualmente, é possível lançar mão de exames minuciosos, para se chegar a um diagnóstico, e de uma infinidade de fármacos eficazes que influenciam nas condições de saúde da população em geral. Por outro lado, os exames muitas vezes invasivos, e os efeitos indesejáveis dos medicamentos podem levar o paciente à iatrogenia, o que exige que o profissional da área seja cada vez mais preparado, atualizado e atento à sua relação com o paciente.

          A seqüência tradicional num atendimento médico deve ser cumprida com rigor, ou seja, escutar a história; montar a anamnese, realizar exame físico cuidadoso, construir as hipóteses diagnósticas e a partir de então decidir a conduta a ser adotada. "A facilidade dos múltiplos exames complementares e dos medicamentos de amplo espectro unidos à perigosa e inoportuna necessidade de se atender rapidamente, tem feito com que esta etapa fundamental seja substituída por exames e remédios de questionável indicação que dão com freqüência o passo inicial para uma trajetória mais onerosa e com potencial iatrogênico imprevisível" (KROPF).

 
FREITAG, L. Iatrogenia http://www.vidaintegral.com.br/3idade/iatrogenia.php.acesso 10.05.2004
KROPF, G. A importância do médico clínico geral-iatrogenia http://www.artesdecura.com.br/
REVISTA/ medicina_integral/importancia_medico.html. acesso 10.05.2004
PEREIRA e Cols. Iatrogenia em cardiologia, Arquivo Brasil. de Cardiologia, v. 75 (nº1), 2000
SANVITO, W. L. A medicina tem cura? : uma abordagem crítica da medicina contemporânea,
Editora Atheneu Ltda., 1994