Alcoolismo: Avaliação da Política de Recuperação, Diagnóstico Causal e Tratamento
 
 
 
Dr. Antonio Santana Meneses
Monografia apresentada à Universidade do Oeste Paulista-UNOESTE
para a obtenção do título de Especialista em Metodologia do Trabalho Científico
 
 
1. Introdução

       Este trabalho está voltado para estudo dos meios de ação empregados pelos órgãos públicos e instituições privadas no tratamento do Alcoolismo, considerado esse como uso continuado e prejudicial de bebida alcoólica.

       As repetidas internações têm permitido o falso entendimento de que os portadores de Alcoolismo são irrecuperáveis. Uma prova da possibilidade de recuperação de portadores de Alcoolismo é constituída pelo número de pessoas que depois de muitos anos seguidos de uso prejudicial de bebidas etílicas, um dia, até mesmo sem ajuda externa, deve ter realizado uma nova valoração em sua vida, decidindo não mais beber, levando a decisão adiante e se livrando do mal.

       Apesar da possibilidade de recuperação, a política de saúde pública em vigor não está produzindo os resultados desejados, pois a reabilitação da grande maioria dos portadores de Dependência do Álcool não está se concretizando.

       O grande gasto público com as internações de portadores de Etilismo corresponde a um trabalho efetivamente realizado e necessário, mas que logo perde sua utilidade, por não se acompanhar do indispensável trabalho no sentido de oferecer ao egresso do hospital os meios necessários para que ele permaneça definitivamente sem beber.

       A despesa pública com o pagamento das diárias nos três hospitais psiquiátricos de Presidente Prudente, referentes apenas às pessoas moradoras nesse município, em 1993 foi de cerca de trezentos e quarenta e nove mil e setecentos e noventa e dois dólares. Supondo o gasto no Brasil por aproximação ao de Presidente Prudente, no ano de 1993, a despesa pública para pagamento só das diárias em hospitais psiquiátricos, de portadores de Alcoolismo foi de cerca de trezentos e dez milhões, setecentos e noventa mil e cento e noventa e dois dólares.

       Para realçar a gravidade e a amplitude do problema Alcoolismo e a conseqüente necessidade de uma solução para ele, transcreve-se o que segue:

       Custos Econômicos. As estimativas dos custos relacionados ao Alcoolismo chegam a US$ 116,7 bilhões. Esses são perda da produção no trabalho, perda de rendimentos futuros secundários ao excesso de mortalidade, custos em cuidados de saúde, custos de acidentes de veículos automotores, custos de programas de segurança nas estradas, perdas por crimes e por fogo, atividade policial, serviços penitenciários e custos judiciais em casos relacionados ao álcool. O álcool contribui para o prejuízo da função profissional na indústria, esportes, medicina e exército. Por exemplo, com 12% das tropas militares prejudicada por Alcoolismo, os erros humanos causados por intoxicação ou sinais mentais de organicidade podem levar a resultados catastróficos. Relato de navios fora de curso e quedas de aviões ressaltam os perigos de erros sérios na função profissional. Nos Estados Unidos, 5.000 a 10.000 programas de assistência ao trabalhador foram estabelecidos para auxiliar no diagnóstico e tratamento no local de trabalho (Departamento de Saúde e Serviço Social dos EUA, 1984)."(07). Yudofsky, S. 1992 pg. 238

       Há um enorme gasto correspondente às pessoas que se hospitalizam repetidamente, no Brasil por exemplo, num grupo de 34 portadores de Etilismo internados em frenocômios prudentinos, nos meses de janeiro e fevereiro de 1994, a média de internações por pessoa é de 7,38 vezes.

       Entende-se que o Alcoolismo, seja sob a forma de psicose alcoólica ou sob a forma de intoxicação alcoólica crônica, é doença e como tal é objetivo das ações da medicina. Mas, e o antes e o depois da doença propriamente dita? O que é que se tem feito e o que é necessário fazer-se com relação a eles, para não reincidirem ?

       O problema que se coloca é o seguinte:

       Os propósitos da saúde pública não estão sendo atingidos através das repetidas internações, nem com o auxílio dos ambulatórios de saúde mental e associações antialcoólicas, deve-se, portanto, procurar soluções? Quais e de que natureza?

       Este trabalho leva em conta que cada portador de Alcoolismo é uma pessoa que está constantemente se prejudicando, que tem risco de vida aumentado, que acarreta estresse psicossocial significativo ao seu grupo familiar, que tem capacidade ocupacional prejudicada, que perturba o funcionamento social, e que gera gastos públicos excessivos.

       Considerando o exposto, pretende-se alcançar os objetivos seguintes:

       demonstrar que a concepção de Alcoolismo como um problema essencialmente da esfera médico-hospitalar consiste em desperdício de recursos aplicados para sua execução;

       demonstrar que as organizações do tipo ambulatório de saúde mental e associação antialcoólica não complementam satisfatoriamente o trabalho médico;

       sugerir uma solução fundamentada que garanta o aproveitamento definitivo dos trabalhos e gastos no sentido de libertar portadores de Alcoolismo.

       A partir de análise do movimento de internação nos hospitais para doentes de Alcoolismo, dos ambulatórios de saúde mental, de contato terapêutico com os doentes formulou-se as seguintes hipóteses para explicar a pouca eficácia dos meios de ação para recuperação do doente de Alcoolismo:

       H1 -Inexistência de articulação eficaz entre a política de internação hospitalar e a de pós internação do doente de Alcoolismo para sua recuperação.

       H2-Inexistência de programas sociais que levem a orientação da ocupação e lazer do doente de Alcoolismo.

       Após a alta hospitalar as pessoas voltam para o meio de onde vieram. Lá retornam a fazer as coisas que aí sempre fizeram, inclusive o uso de bebidas alcoólicas, em consequência do qual novamente ficam na situação que motivou a primeira internação e a série de reinternamentos passa a acontecer.

       A medicina não pode, sozinha, alcançar todo esse processo de programação de vida do doente de Alcoolismo e modificá-lo. Tem-se acreditado que a tarefa cabe somente a ela. A medicina lida bem com as doenças, ela cura pneumonias, tuberculose, apendicite, enurese noturna e depressão maior; compensa diabéticos, hipertensos e portadores de esquizofrenia; evita o tétano, a hidrofobia e a paralisia infantil.

       Mas, deve ocorrer com o Alcoolismo coisa semelhante ao que ocorre com as verminoses, isto é, tratar as helmintoses com medicamentos e não se fazer simultaneamente a prática de um programa de higiene pessoal e ambiental é procedimento ineficaz do ponto de vista da saúde coletiva. Algumas das pessoas tratadas não mais voltarão a ficar doentes, mas a grande maioria adoecerá de novo. Uns poucos portadores de Alcoolismo, depois de tratados, ficam por tempo grande ou para sempre sem beber, mas a maioria volta a beber e a ficar doente novamente. Portanto, só o tratamento médico e/ou hospitalar do portador de Alcoolismo não tem levado aos resultados desejados e necessários.

       O ambulatório de saúde mental, que tem sido muito útil com relação a outros distúrbios psíquicos, não está tendo eficácia com relação ao Alcoolismo.

       A parceria com a associação antialcoólica, feita em nome da somação de recursos, também pode ser entendida como um reconhecimento de que os recursos médico-hospitalares sozinhos, aqui contidos os ambulatórios de saúde mental, não estão sendo suficientes para resolver o extenso e grave problema dos que bebem de modo continuado e prejudicial.

       Este trabalho também se justifica, quando se propõe a discutir um entendimento sobre a etiologia do Alcoolismo e seu tratamento, sem excluir a possibilidade de influência genética na produção desse mal, e ainda, por sugerir procedimentos para os que estão desejando uma ajuda suficiente para se livrarem do Alcoolismo.

       Este estudo será desenvolvido dentro do município de Presidente Prudente, em três hospitais e abrangerá casos de internação no período de janeiro de 1993 a março de 1994.

       A seqüência de sua apresentação terá as seguintes partes: Revisão de Literatura, Metodologia, Apresentação de Resultados, Discussão dos Resultados, Diagnóstico Causal, Tratamento com o CLAREPA, e Referências Bibliográficas.

2. Revisão de Literatura

       Sobre o conceito de alcoólatra o DSM-III-R, 1989 (01) pondera o seguinte:

       “Um engano conceitual comum é de que a classificação dos distúrbios mentais classifica as pessoas, quando realmente o que se está classificando, são os distúrbios que as pessoas têm. Por esta razão, o texto do DSM-III-R (assim como o texto do DSM-III) evita o uso de tais expressões como “um esquizofrênico” ou “um alcoólatra” e, em vez disso, usa termos mais exatos, embora reconhecidamente mais incômodos, “uma pessoa com Esquizofrenia” ou “uma pessoa com Dependência de Álcool”.”

       Jellinek, citado por J. R. Albuquerque Fortes, 1975 (05), definiu Alcoolismo como “qualquer uso de bebidas alcoólicas que ocasiona prejuízos ao indivíduo, à sociedade ou a ambos”.

       Para a Associação Americana de Psiquiatria, 1989 (01), é portadora de Alcoolismo a pessoa que tem respostas positivas para três ou mais das nove perguntas que compõem o questionário por ela elaborado.

       Adiante transcrito, segue o questionário para diagnóstico de Dependência do Álcool, adaptado, uma vez que o original faz referência às drogas em sentido amplo.

       1ª-Freqüentemente tem usado bebida alcoólica em quantidades maiores do que intencionava fazê-lo ?( ) ou: Tem usado bebida alcoólica por um período de tempo maior do que intencionava fazê-lo ?( )

       2ª-Tem desejado e não tem conseguido cortar ou controlar o uso de bebida alcoólica ?( ) ou: Já fez um ou mais esforços mal sucedidos de cortar ou controlar o uso de bebida alcoólica ?( )

       3ª-Tem gasto muito tempo com o uso de bebida alcoólica, por exemplo, nos finais de dia, nos finais de semana ou nos dias de folga ?( ) ou: Tem gasto muito tempo para recuperar-se dos efeitos da bebida ingerida (intoxicação) ou da ressaca ?( )

       4ª-Tem se mostrado alcoolizado(a) quando precisa realizar obrigações importantes no trabalho, na escola ou em casa ?( ) ou: Tem deixado de cumprir obrigações em casa, na escola ou no trabalho em virtude de intoxicação ou de ressaca ?( )

       5ª-Atividades sociais, ocupacionais ou recreativas importantes têm sido reduzidas por causa do uso de bebida alcoólica ?( )

       6ª-Continua usando bebida alcoólica mesmo sabendo que tem problema persistente ou recorrente, social, físico ou mental, que é causado ou exacerbado por ela ?( )

       7ª-Tem aumentado a quantidade de bebida alcoólica ingerida ao longo do tempo ?( )

       8ª-Tem apresentado sintomas incômodos quando diminui muito a quantidade de bebida ingerida ou quando pára de beber ?( )

       9ª-Tem precisado usar bebida alcoólica para se aliviar de sintomas incômodos que aparecem horas depois da última dose usada ?( )

       Em acordo com o entendimento da Associação Americana de Psiquiatria neste trabalho não se usa a expressão alcoólatra e sim portador de Alcoolismo. O conceito de Alcoolismo fica bem delimitado operacionalmente com a aplicação do questionário, resolvendo a dificuldade que Eugen Bleuler, 1967 (03) referiu.

       “Lo más difícil es la delimitacion entre el alcoholismo y el estado de salud. ... Yo, por mi parte, comenzaria a hablar de la presencia de un alcoholismo allí donde lo exigiessen motivos prácticos. Todo aquel que evidentemente se perjudica a si mismo o perjudica a su familia a causa del abuso de alcohol, sin que sea posible hacérselo comprender o sin que tenga ya voluntad o energia para corregirse, deberá ser considerado como alcoholico. En esta definición se hallan comprendidos tanto el alcoholismo como la tendencia a él, no solamente porque se condicionan mutuamente, sino también por constituir una unidad, tanto prácticamente como ante la ley.”

       Sôbre a etiologia do Alcoolismo Talbott, Hales e Yudofsky, no seu Tratado de Psiquiatria, 1992 (07) escreveram:

       “Causas do Alcoolismo. O Alcoolismo é o resultado final de uma interação complexa entre vulnerabilidade biológica e fatores ambientais como experiências na infância, atitude dos pais, políticas sociais e cultura. Uma série de estudos em gêmeos e de crianças adotadas revelou que variáveis genéticas influenciam significativamente a causalidade, embora o mecanismo de transmissão genética não seja conhecido (Goodwin, 1985). Em um estudo prospectivo, Vaillant (1984) descobriu que pode não haver qualquer estilo de personalidade que seja preditor de Alcoolismo.”

       Carol Sonenreich, citado por J. R. Albuquerque Fortes, 1975 (05), em Tese apresentada à Faculdade de Medicina, São Paulo 1971, intitulada Contribuição Para O Estudo Da Etiologia Do Alcoolismo, “defende categoricamente ser o alcoolismo uma doença adquirida à revelia de quaisquer predisposições psicossomáticas preexistentes: é decorrente do uso continuado do próprio álcool.”

       Neste trabalho apresenta-se uma nova abordagem etiológica do Alcoolismo, a qual além de fazer sentido, e só por isso mesmo, fundamentará a sugestão resolutiva a ser oferecida.

       Apesar de não se ter ainda aplicado, já em 1967 Eugen Bleuler, em seu Tratado de Psiquiatria (03) sugeriu como se lutar contra o Alcoolismo:

       “Una de las principales finalidades prácticas de la higiene mental es la lucha contra el alcoholismo. Esta lucha comprende asimismo la profilaxis de las consecuencias nocivas del medio sobre los hijos de los alcohólicos. Entre los medios utilizables en la lucha antialcohólica ha de incluirse el recargo en el precio de las bebidas alcohólicas mediante impuestos y monopolios (así, por ejemplo, en Suiza se ha hecho disminuir de um modo considerable la frecuencia del delirium tremens y de la alucinosis alcohólica, y viceversa). Otros medios de lucha contra el alcoholismo son la difusión de bebidas exentas de alcohol y confeccionadas com zumos de fruta o leche, el fomento de sociedades y clubs antialcohólicos, el deporte, la propaganda antialcohólica en general, etc.”

       E o mesmo Eugen Bleuler detalha o tratamento do Alcoolismo nas três etapas seguintes:

       “Una experiencia centenaria ha demostrado que constituye una utopía querer enseñar a ser sobrio a aquél que no lo es. Lo único capaz de curar al alcohólico es la educación a la abstinencia absoluta. El tratamiento ha de cumplir, en primer término, tres tareas: la primera es la de deshabituar a la llamada necesidad de alcohol. Ello, dentro de una clinica, es más fácil de lo que se cree. Lo único que se manifesta entonces como síntoma clínico es un pasajero temblor.

       “Así, pues, la primera tarea es la presentada por el inmediato apartamiento de aquello que daña.

       “Una segunda tarea, más difícil y que lleva más tiempo, es la de desarrollar el hábito al modo de vida abstinente. Para el bebedor habitual, cualquier ocasión es buena para agarrar el vaso: el trabajo, el ocio, el encuentro con conocidos, la soledad, etc. Para lograr una curación duradera, resulta esencial que se desarrolle un nuevo hábito en dirección a la anterior: tomar café al levantarse, en lugar de una copa de aguardiente; encaminarse directamente al lugar de trabajo; volver de éste directamente a casa; emplear los ratos libres en trabajos caseros y de jardineria, en paseos y en compañia de personas abstinentes, etc.

       “La tercera misión del tratamiento, que es al mismo tiempo la más elevada y la más difícil, estriba en la modificación del modo de ser característico del bebedor. Ha de librársele de sentir sobre sí el punzante desprecio de los demás, ha de hacérsele conseguir respeto de sí mismo, alegría en el cumplimiento del deber, un sano amor propio y, sobre todo, ha de ayudarse a establecer vínculos sanos y naturales con los demás. El tratamiento ha de ir encaminado a demostrarle que, desde luego, se luchará contra su vício, mas que en tanto es un hombre enfermo, se le atenderá y se le favorecerá en cuanto se pueda. Es imprescindible hacer sentir al bebedor que la abstinencia en la cual se le pretende educar constituye un elevado ideal por el que ha de estar orgulloso de combatir. Será absolutamente incapaz de auxiliar a los alcohólicos aquel que considere la abstinencia como un mal necesario, como algo vergonzoso u propio solamente de hombres débiles, entre los que no se incluye a si mismo. El alcohólico debe volver a descubrir su capacidad para desarrollar una labor útil y para cuidar de sus propios intereses, sintiendo alegría al hacerlo. Para todo ello es de suma importancia la relación del enfermo con el psicoterapeuta. En los casos de alcoholismo no es preciso que el psicoterapeuta sea médico. Puede tratarse de una persona con la preparación y las dotes necesarias para tal misión, y que intervenga en aquello que no sea exclusivamente de competencia médica. Através de esta relación con el psicoterapeuta, el alcohólico vuelve a darse cuenta de lo que supone una sana relación con los demás. Tal vivencia es decisiva. Es importante, además, la inclusión del paciente en grupo de ex alcohólicos decididos a mantenerse en la abstinencia.”

       As “sociedades y clubs antialcohólicos” referidos por E. Bleuler como meios para “la lucha contra el alcoholismo”, toma corpo neste trabalho sob a forma do CLAREPA (Centro de Lazer e Apoio Reeducativo a Ex-Portadores de Alcoolismo), o qual constituir-se-á no centro a partir do qual serão desenvolvidas as ações para a “modificación del modo de ser característico del bebedor”, que no dizer do eminente psiquiatra alemão, é a terceira missão do tratamento, ao mesmo tempo a mais elevada e a mais difícil.

       A respeito do resultado do tratamento do Alcoolismo, Talbott, Hales e Yudofsky (07), 1992, resumem:

       “Até agora, a literatura sobre resultados reflete que fatores do paciente como ter uma família estável, menos sociopatia, menos psicopatologia e uma história familiar negativa para Alcoolismo são preditores mais poderosos de um bom prognóstico do que o tipo de tratamento (Franceses et al., 1984). Estudos que testam várias alternativas de tratamento, tanto isoladas ou em combinação, que são bem controlados, bem planejados, e implantados por bons clínicos com bom acompanhamento, são caros, difíceis de fazer e incomuns.”

       Para Wender e Klein, 1987 (09):

       “Embora o Alcoolismo e o abuso de drogas sejam tão incapacitantes que em geral são considerados síndromes independentes, acompanham freqüentemente outras desordens mentais, ou determinados problemas sociais e culturais. Infelizmente, é baixo o índice de êxito dos tratamentos. ... Grupos de residentes, tais como Synanon, têm tido certo êxito com os poucos víciados que se mostraram suficientemente motivados para obedecer ao problema rígido, mas esses êxito só é alcançado à custa de o víciado se tornar permanentemente envolvido com a estrutura de organização.”

       O jornal O Imparcial, de 17 de março de 1994, numa reportagem com o Sr. Elias Policarpo, um ex-portador de Etilísmo, afirma que “para o Alcoolismo o único remédio é a força de vontade de cada um.”.

       Não é como o Sr. Elias Policarpo afirmou no local citado. Como se demonstra neste trabalho, a vontade do portador de Alcoolismo, especialmente em relação ao uso de bebidas etílicas, está de uma tal forma contaminada por influências no sentido de beber, que se fosse depender essencialmente dela a maioria das pessoas não se livraria desse mal. É necessário muito mais do que a força de vontade do doente; é preciso que a sociedade que lhe ajudou a se formar no Alcoolismo lhe ajude a reprogramar sua vida.

       Hans Jorg Weitbrecht, 1970, no seu Manual de Psiquiatria (08), sobre o Alcoolismo faz as considerações seguintes:

       “Examinemos ahora el especial problema psiquiátrico del alcoholismo. La alcoholmanía es un problema mundial. En Europa y América es la forma más importante de toxicomanía. La participación porcentual de mujeres dipsómanas se ha multiplicado, la de los jóvenes está en continuo aumento. El remordimiento de conciencia del público se demuestra ya en las triviales bromas con que en los llamados países civilizados se ridiculiza de ordinario la tragedia del alcoholismo. Los periodistas que informan con objetividad, corren peligro de ser desacreditados por la poderosa industria de las bebidas. La desesperanzada decadencia psíquico-mental del alcohólico, la miseria social de su familia, los funestos daños que produce el ambiente a los niños que se crían en la familia de un bebedor, la gran sobrecarga económica para el gasto público (curas de desacostumbramiento, invalidez precoz, alojamiento de los niños en asilos, etc.), el considerable aumento de las cifras de accidentes de circulación, no son más que los temas más importantes que demuestran que el alcoholismo no es ni puede ser “assunto” privado en una estructura social ordenada.

       “Acostumbramiento alcohólico y alcoholmanía.-Cuando hoy se habla del “enfermo alcohólico” podemos replicar con un sí y un no. Un “sí” por cuanto, a partir de cierto período del acostumbramiento, el sujeto prácticamente nunca puede valerse por sí solo ni librarse de su hábito incluso suponiendo que su más decidida voluntad de hacerlo no fuera sólo una declaración de labios para afuera. Muchas veces, estos sujetos tienen ya de antemano una personalidad tan psicopática o está tan alterada por la habituación que ya no pueden querer algo terminantemente. Un “no”, por cuanto-con la denominación de “enfermo alcohólico”-quitamos al sujeto la responsabilidad de sus actos y se la cargamos a una “enfermedad” en un período en que la cómoda postura de “puesto que es evidente que estoy enfermo, los demás me remediarán y cuidarán de mí” significa el principio del fin.

       “Ahorramos pormenores sobre la sociología y sobre la higiene psíquica tan importante a este respecto. En muchos paises civilizados, el poder beber mucho es prueba de cabal virilidad y se ejercita ritualmente en sociedad como un factor pedagógico y formador. A los hombres fuertes les gustan las bebidas fuertes y la botella de whisky en la nervuda mano masculina es un requisito inexcusable en el cine y la televisión. Ahora, como antes, es difícil que un joven no beba en una sociedad así organizada. Sería un aguafiestas que no aguanta nada, reproches que pocos toman con calma. No puede dudarse de que la mera costumbre de beber, sin situación original de dipsomanía, puede ser el primer período del alcoholismo. También puede ir seguida de un consumo excesivo crónico de alcohol, como en el dramático cuadro de la auténtica alcoholmanía.”

       Weitbrecht deixa bem claro seu entendimento sobre o comprometimento da vontade do portador de Alcoolismo quando afirma que “a partir de cierto período del acostumbramiento, el sujeto prácticamente nunca puede valerse por sí solo ni librarse de su hábito”. Sem o auxílio adequado e pelo tempo suficiente de uma vontade de sua comunidade, o portador de Etílismo não se livrará do seu mal.

       O autor deste trabalho usa o referencial teórico da Análise Transacional (AT), criação do genial psiquiatra canadense Eric Berne. No seu último livro, Qué Dice Usted Después de Decir “Hola” ? (1979), Berne define AT do modo seguinte:

       “El análisis conciliatorio es una teoría de la personalidad y de la acción social, y un metodo clínico de psicoterapia, basado en la análisis de todas las conciliaciones posibles entre dos o más personas, sobre la base de unos estados del ego especificamente definidos.”

       E na mesma obra, adiante, referindo-se à comunicação interpessoal, Berne afirma que ela se faz “incluso cuando produce poca satisfacción instintiva, porque a la mayoria de las personas les molesta mucho enfrentarse con un período de tiempo sin estructurar; de ahí que, por ejemplo, encuentren que assistir a un cóctel es menos aburrido que estar solos. La necesidad de estructurar el tiempo se basa en tres impulsos o apetitos. El primero es el apetito de estímulo o de sensación. Lejos de intentar evitar las situaciones estimulantes, como han afirmado algunos, la mayoria de los organismos, incluidos los seres humanos, las buscan. La necesidad de sensación es la razón por la cual las montañas rusas dan dinero y los prisioneros hacen lo que sea para evitar el confinamiento solitario. El segundo impulso es el apetito de reconocimiento, la demanda de clases especiales de sensaciones que sólo puede suministrar otro ser humano o, en algunos casos, otros animales. Por eso la leche no es suficiente para las crias de mono y para los niños; necessitan además el sonido y el olor, y el calor y el contacto de la madre, y, si no lo tienen, se marchitan, como hacen las personas mayores se no hay nadie que les diga “Hola”. El tercer apetito es el apetito de estructura, por el cual los grupos tienden a convertir-se en organizaciones, y los estructuradores del tiempo son los miembros más solicitados y también mejor pagados de cualquier sociedad.”

       Sobre o Roteiro de Vida, Eric Berne, 1979 (02) escreve:

       “Lo que decide el destino de cada ser humano es lo que ocurre dentro de su cerebro cuando se enfrenta con lo que ocurre fuera de su cerebro. Cada persona proyecta su propia vida. La libertad le da el poder de llevar a cabo sus proyectos, y este poder le da la libertad de interferir con los proyectos de otros. Aun en el caso de que el desenlace sea decidido por hombres a los que no conocía o por gérmenes que nunca verá, sus últimas palabras y las palabras que figuren en su lápida proclamarán su lucha. Si tiene la gran desgracia de morir en la miseria y el silencio, solo los que lo conozcan mejor entenderán su lema, y todos los que se encuentren fuera de las cámaras privadas de la amistad, el matrimonio y la medicina lo verán de forma equivocada. En la mayoría de los casos, se habrá pasado la vida engañando al mundo, y generalmente también a si mismo. Más adelante hablaremos mas de estas ilusiones.

       "Cada persona decide en su primera infancia cómo vivirá y cómo morirá, y a ese plan, que lleva en la cabeza dondequiera que vaya, lo llamamos su guión. Su conducta trivial puede decidirla la razón, pero sus decisiones importantes ya están tomadas: con qué clase de persona se casará, cuantos hijos tendrá, en qué clase de cama morirá, y quién estará alli cuando lo haga. Puede que no ocurra lo que él quiere, pero él quiere que ocurra algo muy concreto.”

       Stan Woolams e Michael Brown, 1989 (10) ensinam que:

       “Análise Transacional (AT) é muitas coisas. Primeiro, é uma filosofia um ponto de vista acerca das pessoas. Segundo, é uma teoria do desenvolvimento da personalidade, do funcionamento intrapsíquico e comportamento interpessoal. Terceiro, é um sistema de técnicas destinadas a ajudar as pessoas a compreender e modificar seus sentimentos e comportamentos.”

       A Análise Transacional é uma teoria da personalidade e da ação social, e um método de psicoterapia. Ensina que na infância as pessoas elaboram um Roteiro de Vida, através de Decisões que visam à conciliação entre as próprias necessidades e as normas externas, especialmente dos pais. O Roteiro de cada pessoa dirige o seu comportamento nos aspectos mais importantes de sua vida. A AT se baseia no fato de que a personalidade é constituída por três conjuntos de Estados do Eu: Pai, Adulto e Criança, e que o relacionamento social pode ser decomposto em unidades chamadas de Transações. Como forma de psicoterapia ela se propõe a ajudar a pessoa a alcançar o Controle Social do próprio comportamento e dos seus relacionamentos com os outros. Num nível mais aprofundado do que o de Controle Social, a AT ajuda a pessoa a atingir a Autonomia. Num nível de Controle Social a Análise Transacional tem sido usada com êxito nos mais diferentes campos da atividade humana, como lar, escola, prisões, igrejas, hospitais, comércio e bancos, tornando a convivência mais satisfatória, agradável e cooperativa. Clinicamente a AT é usada para curar sintomas específicados em contratos de tratamento, e para o alcance da Autonomia. Neste caso ela ajuda a pessoa a sair do seu mundo de roteiro e passar a viver no mundo real.

       A Análise Transacional chama de Carícia à unidade de reconhecimento interpessoal. Tal reconhecimento ou Carícia, quando valorizador da pessoa, funcionará como um convite para ela se sentir bem, e neste caso é chamado de Carícia positiva. Quando o reconhecimento manifestado é desvalorizador, funciona como um convite para a pessoa se sentir mal, e recebe o nome de Carícia negativa. Um exemplo de Carícia positiva é dizer-se a um portador de Alcoolismo que se acredita na possibilidade de sua completa recuperação, pois ele tem recursos que se forem convenientemente utilizados lhe permitirão se livrar definitivamente do mal. Pelo contrário, dizer-se a um bebedor que ele é um degenerado, por exemplo, é enviar-lhe uma Carícia negativa. E quando a Carícia negativa é aceita, e ela geralmente o é, a pessoa se sente mal, pensa mal e age mal.

       A teoria da Análise Transacional entende que As Pessoas São OK, isto é, as pessoas são capazes de sentir, pensar e agir, de modos adequados, apropriados, resolutivos, cooperadores, ou de aprender a fazer isso. Nessa crença, a qual é chamada de Posição Existencial Eu Sou OK Você É OK, precisará se basear todo relacionamento interpessoal construtivo. Quando uma pessoa se relaciona com outra a partir de uma Posição Existencial na qual ou ela ou a outra ou as duas, Não São OK, o relacionamento fica prejudicado em grau menor ou maior.

       Também, baseada nos modernos estudos sobre as necessidades humanas, a Análise Transacional sistematiza que as pessoas têm, entre outras, as seguintes:

       -fome de reconhecimento vindo do outro, a fome de Carícia

       -fome de estruturação do tempo, a necessidade de preencher o próprio tempo

       -fome de incidentes, agudização da fome de estruturação do tempo

       Parte do Roteiro de Vida de cada pessoa é o seu estilo de receber, dar, pedir e recusar Carícias, e os seus modos de estruturar o seu tempo de vida.

       Em Wender e Klein, 1987 (09) encontra-se uma teoria biológica, diferente das já expostas por Eric Berne, para fundamentar o conceito transacional de Carícia:

       “Nossa hipótese é que, normalmente, o cérebro de todo mundo produz agentes elevadores do humor para servir como estimulantes e fontes interiores de recompensa. Conjecturamos que esses agentes gratificantes sejam liberados pela aprovação social e por atividades estimulantes, quando a pessoa está envolvida com a caça. Hipotetizamos igualmente que a desaprovação e o desapontamento sociais possam desencadear a súbita interrupção destes agentes internos estimuladores por meio de controles reguladores inatos. A utilidade evolutiva da súbita cessação destes agentes inatos para a elevação do humor está na possibilidade de aprendermos, então, por meio de experiências imediatamente dolorosas, a evitar atividades desapontadoras, socialmente desaprovadas e, portanto em última instância, perigosas. Em termos comportamentais, a química cerebral serviria como agente recompensador para atividades produtoras de aprovação social e sua retração agiria como punição quando estivéssemos às voltas com atividades detonadoras de desaprovação social. Os inibidores de monoamina oxidase poderiam prevenir a rápida destruição dos estimulantes cerebrais hipotetizados, de modo que, quando a paciente é rejeitada, o humor só desce o normal, em vez de mergulhar desastrosamente.”


3. Metodologia

       Este trabalho emprega o método hipotético-dedutivo, observando, registrando os fatos e correlacionando-os até chegar às conclusões e apresentar as sugestões.

       A população estudada para o fim de levantamento de dados foi constituída pelas pessoas que residindo no município de Presidente Prudente, SP, no ano de 1993 foram hospitalizadas em qualquer dos três frenocômios da cidade com diagnóstico de Síndrome de Dependência do Álcool (303 CID 9) ou Psicose Alcoólica (291 CID 9).

       A população entrevistada foi constituída por trinta e quatro pessoas que nos meses de fevereiro e março de 1994 estavam reinternadas ou no Hospital São João ou no Sanatório Allan Kardec, com os diagnósticos acima referidos.

       Os dados coletados em documentos dos hospitais foram registrados no formulário seguinte (F1):


INP

S

IA

Diag

NRH

D1

D2

D3

....

D11

D12

       onde:

       D1 = diárias em janeiro; D2 = diárias em fevereiro; até D12 = diárias em dezembro; Diag = diagnóstico (291 ou 303); IA = idade em anos; INP = iniciais do nome do paciente; NRH = número de registro no hospital; S = sexo

       O questionário utilizado para as entrevistas foi o que se segue:

       01-Anotar o sexo do(a) entrevistado(a)(  )

       02-Com esta, quantas vezes você já foi internado(a) em hospital psiquiátrico por doença causada pelo uso de bebida alcoólica ?(  )

       03-De algum modo, sua família facilitava a sua volta ao uso de bebidas alcoólicas?(   )

       04-Como sua família tem feito isso?

       _______________________________________________________________________________

       05-Você bebe mais quando está acompanhado(a)?(  )

       06-Você bebe mais fora da sua casa?(  )

       07-Reaproximar-se das pessoas com as quais você bebia antes de ser internado(a), facilitou sua volta ao uso da bebida alcoólica após a(s) sua(s) alta(s)?(  )

       08-Depois de sua(s) alta(s) hospitalar(es) você passou a freqüentar lugares diferentes daqueles que você freqüentava antes da(s) sua(s) internação(ões)?(  )

       09-Após a(s) sua(s) alta(s) hospitalar(es) você freqüentou reuniões e/ou comemorações que incluiam o uso de bebidas alcoólicas ?(  )

       10-A freqüência referida na questão anterior facilitou sua volta ao uso de bebidas alcoólicas?
       (  )

       11-Você vive sozinho(a) ?(  )

       12-Principalmente, você tornava a se aproximar das pessoas com as quais você bebia antes de se internar,

      
- só pela companhia delas ?(  )

       - ou para o fim de beber ?(  )

       
        13-Quando você tem tempo desocupado, como você o preenche principalmente ?

       - fazendo coisas que incluem o uso de bebidas alcoólicas ?(  )

       - de que outros modos ?

       _______________________________________________________________________________

       14-Sair do hospital ainda precisando usar remédio retardava sua volta ao uso de bebida alcoólica ?(  )

       15-O pessoal do hospital lhe orientou, com ênfase, para não mais usar bebida alcoólica em qualquer quantidade após a(s) sua(s) alta(s) hospitalar(es) ?(  )

       16-Quanto tempo você tem ficado sem beber após a(s) sua(s) alta(s) hospitalar(es) ?
       _______________________________________________________________________________

       17-Você bebia durante o seu horário de trabalho ?(  )

       18-Você costumava beber mais era,

       - (S 1) nos finais de semana ?(  )

       - (S 2) nos seus dias de folga ?(  )

       - (S 3) após o trabalho de cada dia ?(  )

       - (S 4) todos os dias igualmente ?(  )

       19-Você já freqüentou alguma associação antialcoólica ?(  )

       20-Você já freqüentou ambulatório de saúde mental para dar seguimento ao tratamento antialcoólico realizado nos hospitais ?(  )

       21-De que modo você se distrai ?
       _______________________________________________________________________________

       22-Por que é que você bebia ?

       _______________________________________________________________________________

       23-Imagine um centro de lazer como sendo uma área bem localizada na cidade, de fácil acesso, com as construções necessárias, como salão de festas, salas para reuniões, quadras esportivas, parque infantil, com recursos como mesas e jogos de mesa, televisão, video cassete, e som para música, uma lanchonete com bons petíscos, que não vende bebidas alcoólicas, mas que vende sucos e refrigerantes, um local onde não se paga para freqüentar, que está aberto todos os dias até cerca das 22 horas, que tem funcionários encarregados de manter a organização, o bom funcionamento, a limpeza e a proteção do patrimônio, que tem uma diretoria atuante, lugar para ser freqüentado por ex-portadores de Alcoolismo e por seus familiares, com o fim de lazer e de reeducação para a vida.

                       
       Chamando de CLAREPA (Centro de Lazer e Apoio Reeducativo a Ex-Portadores de Alcoolismo) ao local imaginado, pergunta-se: você julga que um centro de lazer assim, poderá ser uma ajuda suficiente para ex-portadores de Alcoolismo que queiram auxílio para se manterem definitivamente sem beber ?(    )

4. Apresentação dos Resultados


       
Dos dados coletados nos hospitais com o auxílio do formulário (F1), verificou-se que foram 741 frenocomizações no ano de 1993, de moradores de Presidente Prudente nos hospitais psiquiátricos desse município. Dessas internações, 685 (92,45%) foram de pessoas do sexo masculino e 56 (07,55%) foram de pessoas do sexo feminino.

Especificação por sexo

Nº de internações/pessoas

Porcentagem

Homens

685

92,45

Mulheres

056

07,55

Total

741

100,0

       Das 741 internações em 1993, foi possível verificar a faixa etária em 444 pacientes, os quais estão distribuidos como mostra a tabela seguinte

Faixa de idade

Nº de pessoas

Porcentagem/sub

Porcentagem/total

00 |--) 21

21 |--) 31

31 |--) 41

41 |--) 51

51 |--) 61

61 |-- ......

004

052

168

146

059

015

01,00

11,70

37,86

32,87

13,24

03,33

 

Sub-Total

Desconhecida

444

297

100,00

59,92

40,08

Total

741

 

100,0

 

        Nas mesmas 444 internações em que a idade dos pacientes era conhecida, verificou-se que 266 (59,91%) deles tinham o diagnóstico de PSICOSE ALCOÓLICA (291 CID 9) e os outros 178 pacientes (40,09%) tinham o diagnóstico de SÍNDROME DE DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL (309 CID 9).

Diagnóstico

Nº de pacientes

Porcentagem

Psicose alcoólica

266

59,91

Síndrome de dependência do álcool


178

 
40,09

Total

444

100,0

       Foram entrevistadas 34 pessoas, 27 delas (79,46%) sendo sexo masculino e 07 (20,54%) do sexo feminino.

Sexo

Nº de entrevistados

Porcentagem

Masculino

27

79,46

Feminino

07

20,54

Total

34

100,0

       O número de internações em frenocômio variou entre 02 e 40, e a média de internações por pessoa foi de 7,38 vezes.

       Dos entrevistados, 47,06% responderam que a respectiva família facilitava sua volta ao uso de bebida alcoólica e 44,12% responderam que a família não facilitava sua volta ao uso de bebida alcoólica. Os 08,82% restantes moram sozinhos.

       Os que responderam que a família facilitava sua volta ao uso de bebida, explicam que isso se faz dos modo seguintes: Em casa, um irmão bebe. Em casa, o papai bebe. A mãe e um irmão bebem. A irmã com a qual mora, bebe. A mãe bebia e todos os irmãos bebem. Usando bebida no final do dia, após o trabalho. Um irmão é portador de Alcoolismo. Vezes a mãe bebe com o entrevistado. A família tem bebida em casa. O companheiro bebe e traz bebida para casa. O pai bebe e tem bebida em casa. Pai e irmão bebiam. A irmã solteira bebe com o entrevistado. A família bebe.

Influência facilitadora para voltar a beber após a alta hospitalar

Nº de entrevistados

Porcentagem

Família facilita

16

47,06

Família não facilita

15

44,12

Moram sozinhos

03

08,82

Total

34

100,0

                       

       Verificou-se que:

       - 58,82% bebem mais quando estão acompanhados e 41,18% bebem mais quando estão sozinhos;

       - 79,41% responderam que bebem mais fora de suas casas e 20,59% bebem mais em suas casas;

       - 76,48% responderam que a companhia de pessoas que bebem facilita a volta do uso da bebida, 14,70% responderam que não e 08,82% bebem sozinhas.

Condições em que bebem mais

Porcentagem

 

Quando acompanhados

Quando não acompanhados

58,82

41,18

100%

Quando fora de casa

Quando em casa

79,41

20,59

100%

Quando com pessoas que bebem

Quando sozinhas

Tanto faz

76,48

08,82

14,70

100%

       

       - 73,54% responderam que após a alta voltam a freqüentar os mesmos lugares que freqünetavam antes da internação, 17,64% responderam que passaram a freqüentar lugares diferentes, e 08,82% bebem sozinhas;

Comportamento após a internação

Porcentagem

 

Voltam a freqüentar os mesmos lugares onde bebiam antes da internação

73,54

 

Não voltam a freqüentar os mesmos lugares onde bebiam antes da internação

17,64

 

Bebem sozinhos

08,82

100%


       - 58,83% após a alta hospitalar voltaram a freqüentar reuniões e comemorações que incluiam o uso de bebidas alcoólicas, 35,29% não o fizeram e 05,88% não tiveram tempo para optar pois voltaram a se internar logo após a alta.

Comportamento após a internação(continuação)

Porcentagem

 

Voltam a freqüentar reuniões e comemorações que incluem o uso de bebidas


58,83

 

Evitam essas reuniões

35,29

 

Não tiveram tempo de optar

05,88

100%

      - 47,06% responderam que freqüentar reuniões e comemorações que incluiam o uso de bebida alcoólica facilitou sua volta ao beber, 23,52% responderam que não, e 29,42% deram outras respostas

Comportamento após a internação(continuação)

Porcentagem

 

Freqüentar reuniões e comemorações que incluiam o uso de bebidas alcoólicas facilitava a volta ao beber


47,06

 

Tal freqüência não facilitou

23,52

 

Deram outra resposta

29,42

100%


      - apenas 08,82% dos entrevistados moram sozinhos, e 91,18% moram com outras pessoas;

Condição de convivência com outros

Porcentagem

 

Moram com outras pessoas

91,18

 

Moram sozinhas

08,82

100%


      -  61,77% se aproximam das outras pessoas com a finalidade de beberem com elas, 26,47% se aproximam só pela companhia das pessoas e 11,76% após a alta não buscam as pessoas com as quais bebiam antes

Comportamento no relacionameto com pessoas

Porcentagem

 

Aproximam-se das pessoas para beberem com elas

61,77

 

Aproximam-se só pela companhia das pessoas

26,47

 

Não buscam as pessoas com as quais bebiam antes

11,76

100%

      - 64,70% das pessoas responderam que quando desocupadas buscam fazer alguma coisa que inclui o beber, 29,42% fazem coisam que não incluem o beber, e 05,88% não decidiram a resposta

Comportamento nas horas livres Porcentagem  

Quando desocupadas buscam fazer coisas que incluem o beber

Quando desocupadas não buscam fazer coisas que incluem o beber

Não sabem

64,70

29,42

05,88

100%

      - 26,47% evitam o uso de bebidas alcoólicas enquanto estão usando remédio prescrito por ocasião da alta hospitalar, 17,64% não fazem isso e até param com o uso do remédio para poderem beber, 55,89% saem do hospital sem prescrição para usar remédio;

Comportamento após a prescrição

Porcentagem

 

Já saem do hospital sem prescrição medicamentosa


55,89

 

Evitam beber enquanto usando remédio

26,47

 

Não usam os remédios e bebem

17,64

100%

      - 79,42% receberam com ênfase orientação no hospital com a finalidade de não mais beberem e para sempre, 14,70% negam ter recebido essa orientação, 05,88% deram outra resposta à pergunta;

Comportamento após a orientação

Porcentagem

 

Receberam no hospital orientação para não mais beberem


79,42

 

Negam ter recebido tal orientação

14,70

 

Não sabem se a receberam

05,88

100%

      - 58,83% não bebiam durante o horário de trabalho, 35,29% bebiam, e 05,88% deram outra resposta;

Comportamento no trabalho

Porcentagem

 

Não bebem durante o trabalho

58,83

 

Bebem durante o trabalho

35,29

 

Outra resposta

05,88

100%


      - 52,95% bebiam todos os dias igualmente, 35,29% bebiam mais nos finais de semana, 05,88% bebiam mais no final de cada dia de trabalho, e 05,88% deram outras respostas;

Comportamento no dia a dia

Porcentagem

 

Bebem em todos os dias igualmente

52,95

 

Bebem só nos fins de semana

35,29

 

Bebem mais no fim de cada dia de trabalho

05,88

 

Outra resposta

05,88

100%

      - 52,95% das pessoas entrevistadas já freqüentaram organização do tipo associação antialcoólica, e 47,05% não freqüentaram;

Frequência a associação antialcoólica

Porcentagem

 

Freqüentaram

52,95

 

Não freqüentaram

47,05

100%

      - apenas 14,70% freqüentaram ambulatório de saúde mental após a alta hospitalar, 85,30% não freqüentaram;

Frequência a ambulatório após a alta hospitalar

Porcentagem

 

Freqüentaram

14,70

 

Não freqüentaram

85,30

100%

      - 82,36% julgam que uma organização do tipo CLAREPA poderá ser de grande utilidade, 17,64% não opinaram;

 

Avaliaçao de organização do tipo CLAREPA

Porcentagem

 

Poderá ser muito útil

82,36

 

Não opinaram

17,64

100%

      - 05,88% ficam nenhum dia sem beber após a alta, 47,06% ficam de 01 a 31 dias sem beber após a alta, 29,42% ficam de 31 a 91 dias sem beber após a alta, 14,70% ficam entre 91 e 181 dias sem beber após a alta, e apenas 02,94% ficam mais de 181 dias sem beber após a alta.

Nº de dias sem beber após a alta

Nº de entrevistados

Porcentagem

Nenhum

  1 |--) 31

31 |--) 91

 91 |--) 180

  180 |--) 5.110

02

16

10

05

01

05,88

47,06

29,42

14,70

02,94

Total

34

100%

       Os entrevistados responderam que se distraem dos modos seguintes: Ficando em casa. Com minhas crianças em casa mesmo. Não tenho distração. Com o trabalho. Futebol, sinuca, baralho e malha, tudo com pinga. Não me distraio. Encontrando-me com colegas que não bebem, e indo à igreja. Com bebida e mulher. Procuro pessoas que bebem socialmente. Bebendo. Lendo ou com jogos de mesa em bares. No passado, pescando, lendo, jogando futebol. Fumando. Em bailes com bebida. Bebendo. Baile, pescaria, futebol, tudo com bebida. Encontrando-me com amigos e bebendo com eles. Em bailes com bebida. Bebendo. Pescaria com bebida. Jogos nos bares. Encontro para beber nos bares com amigos. Pescaria. Futebol e bebida. Sinuca e bebida. Bebendo. Não me distraio. Em baile. Futebol, baralho e bebida. Baile e bebida. Brincando com os netos. Baile e bebida, pescaria e bebida.

Uso de bebida alcoólica no lazer

Porcentagem

 

Usam

55,88

 

Não usam

35,30

 

Não têm lazer

08,82

100%


       
À pergunta Por que você bebe ? foram dadas as respostas seguintes: Nem eu sei, não tenho precisão de beber. Porque gosto. Para beber com meu pai. Por gostar. Só nas festas. Para melhorar a depressão que eu sinto. Porque gosto, não sei direito por que bebo. Sempre bebi. Bebo porque minha sogra fez coisa para eu morrer bêbada na frente de um bar. Bebo para me distrair, me alegrar. Para descansar. Não sei, não posso explicar. Não sei, não tenho motivo para beber. Para esquecer a vida, para esquecer momentos bons e momentos difíceis. Para esquecer o passado. É difícil dizer, por senvergonhice. Pra ficar comunicativo. Não sei; até hoje não sei por que bebo, apesar de me maltratar demais. Porque eu gosto. Bebo porque me acostumei; comecei a beber num trabalho noturno no qual o chefe forçava tomar uma dose. Para me sentir mais seguro; por causa da minha história de vida. Para tentar esquecer as burrices que fiz, como perder minha mulher por causa do Alcoolismo. Não posso explicar, porque não sei. Penso que bebo para me destruir, sendo que eu não quero me destruir. Não sei, parece que é uma coisa que me atenta, é uma vontade incontrolável. Não sei; meus pais bebiam na minha infância e botavam açúcar na pinga para eu beber também. Comecei por brincadeira e depois virou coisa séria. Para ficar alegre; porque gosto de bebida. No início para abrir o apetite; depois para me alegrar e tirar minha timidez; ultimamente por estar dependente do álcool. Não sei; vezes penso que é para me esquecer mas aí me lembro cada vez mais. Até hoje eu me pergunto; estou procurando descobrir;

Origem do Alcoolismo

Porcentagem

Aprenderam com os outros

Não sabem por que bebem

Bebem por gostar

55,89

32,35

11,76

Total

100%

       Somando o gasto público com os três hospitais psiquiátricos de Presidente Prudente, no ano de 1993, só para pagamento das internações por Alcoolismo (Síndrome de Dependência do Álcool e Psicoses Alcoólicas) de pessoas residentes nesse município, chega-se ao total de 349.792 dólares.

Internações em cada mês de 1993

Hospital

jan

fev

mar

abr

mai

jun

jul

ago

set

out

nov

dez

S. João

363

303

604

334

363

424

514

574

394

484

454

544

Bezerra

1043

1068

1492

1289

1127

1022

1108

1233

1115

999

542

408

A.Kardec

190

239

421

374

282

431

271

355

451

225

309

172


        Utilizando a estimativa do IBGE para 1º de julho de 1992, segundo a qual Presidente Prudente tem uma população de 167.966 habitantes e o Brasil tem 149.236.084 habitantes, e supondo que ocorre no país de modo semelhante ao que acontece em Presidente Prudente, o Brasil gastou em 1993 para pagar frenocomizações de portadores de Alcoolismo cerca de 310.790.192 dólares.

Valor da diária em cada mês de 1993, em dólar *

Hospital

jan

fev

mar

abr

mai

jun

jul

ago

set

out

nov

dez

S. João

14

14

14

14

14

14

14

14

14

14

14

14

Bezerra

17

17

17

17

17

17

17

17

17

17

17

17

A.Kardec

17

17

17

17

17

17

17

17

17

17

17

17


       * Esclareço que o diretor de um dos hospitais solicitou-me que fosse registrado o seguinte:"a diária é recebida pelo hospital com cerca de sessenta dias de atraso, o que, antes do Real,  reduzia o seu valor a cerca de apenas um terço do mostrado na tabela".


5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS


       O gasto público de 310 milhões de dólares (reais) no ano de 1993 foi só para o pagamento das diárias em frenocômios. Existem as despesas nos hospitais gerais, as quais talvez sejam até maiores do que as dos hospitais psiquiátricos. Quando os doentes são trabalhadores, estudantes ou donas de casa, suas atividades profissionais param, e se são trabalhadores ainda recebem o auxílio-doença, pago pela Previdência Social. Essa ainda é uma pequena parte da despesa pública gerada pelos portadores do Alcoolismo. Para se ter uma idéia mais aproximada da despesa geral, transcreve-se a seguir um trecho do livro Tratado de Psiquiatria, 1988, de Talbot, Halles e Yudofsky (07):

       “Custos Econômicos. As estimativas de custos relacionados ao Alcoolismo chegam a 116,17 bilhões de dólares. Esses são perda da produção no trabalho, perda de rendimentos futuros secundários ao excesso de mortalidade, custos em cuidados de saúde, custos de acidentes de veículos automotores, custos de programas de segurança nas estradas, perdas por crimes e por fogo, atividade policial, serviços penitenciários e custos judiciais em casos relacionados ao álcool. O álcool contribui para o prejuízo na indústria, esportes, medicina e exército. Por exemplo, com 12% das tropas prejudicadas por Alcoolismo, os erros humanos causados por intoxicação ou sinais mentais de organicidade podem levar a resultados catastróficos. Relatos de navios fora de curso e quedas de aviões ressaltam os perigos de erros sérios na função profissional. Nos Estados Unidos, 5.000 a 10.000 programas de assistência ao trabalhador foram estabelecidos para auxiliar no diagnóstico e tratamento no local de trabalho. (Departamento de Saúde e Serviço Social dos EUA, 1984).”

       Considerando-se os gastos, pergunta-se o seguinte: É justo gastar-se por mês, só para o pagamento das diárias nos frenocômios, por pessoa, mais de 420 dólares (reais), quando o salário mínimo do trabalhador não chega a 65 dólares (reais)? Do ponto de vista técnico, entende-se que a resposta é: é justo e não é justo.

       Julga-se um gasto justo quando se considera que ele corresponde a um trabalho realmente realizado e necessário. Quem teve ou tem um portador de Alcoolismo em casa sabe como um tratamento que tire a pessoa desta condição pode ser útil para o bebedor e para as pessoas que com ele moram e/ou têm contato.

       Julga-se um gasto injusto quando se considera que ele não é seguido pelo complementar e absolutamente necessário atendimento pós hospitalização. A falta desse facilita que o egresso do hospital, mais cedo ou mais tarde, volte a beber, torne a ficar doente e outra vez se interne. É lógico que quando assim acontece, a despesa realizada perde a utilidade que teve e se torna tecnicamente injusta para o contribuinte.

       Quando se considera que na população entrevistada a média de internações é de 07,38 vezes por pessoa, pode se dizer que falta ser feito algo após a alta que ajude a pessoa a se manter sem beber fora do hospital e para sempre.

       Orientação do hospital para permanecer sem beber após a alta, foi dada a 79,42% dos entrevistados e eles voltaram ao hospital repetidamente. Não é procedimento eficaz.

       O ambulatório de saúde mental, que tem por finalidade, também, dar seguimento ao trabalho iniciado no hospital, igualmente não é eficaz, tanto que 85,29% da população entrevistada, reinternada, não o procurou por ocasião das altas.

       As organizações do tipo associação antialcoólica também não são eficazes para complementar o trabalho do hospital. Evidência disso é que na população entrevistada 52,95% já freqüentaram a suas tradicionais reuniões e continuam se reinternando nos frenocômios. Fica, portanto, comprovada a primeira hipótese: H1-Inexistência de articulação eficaz entre a politica de internação hospitalar e a de pós internação do doente de Alcoolismo para sua recuperação.

       Para predição da segunda hipótese: H2-Inexistência de programas sociais que levem a orientação da ocupação e lazer do doente de Alcoolismo, entende-se ser muito conveniente considerar as respostas das pessoas entrevistadas.

       A existência de uma mulher (20%) reinternada com Alcoolismo para cada quatro homens em igual condição (80%) mostra que o Etilismo predomina entre o sexo masculino mas que também é significativo no sexo feminino. Quase 50% das pessoas com Alcoolismo têm influência facilitadora da própria família para voltar a beber após a alta hospitalar. Quase 60% dos entrevistados bebem mais quando estão acompanhados por outras pessoas. Quase 80% delas bebem mais fora de suas casas. 76,48% dos entrevistados consideram que a reaproximação de velhos companheiros de bebida é uma significativa influência para a volta ao uso de bebida. O retorno aos lugares onde bebiam antes da internação facilita a volta à bebida em 73,54% dos entrevistados. Em quase 50% dos entrevistados freqüentar reuniões e comemorações que incluem o uso de bebidas alcoólicas foi significativo motivo para voltar a beber. A solidão não aparece entre os entrevistados como motivo importante para o uso de bebidas alcoólicas, pois apenas 08,82% deles moram sozinhos. Em 61,77% do grupo entrevistado, as pessoas procuram as companhias com o propósito principal de beberem juntas. Quando desocupadas, 64,70% das pessoas entrevistadas procuram fazer coisas que incluem o uso de bebidas etílicas. De cada 5 pessoas que saem do hospital com prescrição para continuar usando remédio, três delas não bebem enquanto tomam medicamentos. Quase 60% dos entrevistados responderam que não bebiam durante o horário de trabalho. 52,95% responderam que bebiam todos os dias igualmente, e 35,29% responderam que bebiam mais nos finais de semana.

       No grupo de portadores de Alcoolismo entrevistados, ficar no seio da família não ajuda a ficar sem beber. 60% dos entrevistados bebem mais quando estão com outras pessoas. 80% bebem mais fora de suas casas. E 76,48% a reaproximação dos velhos amigos facilita a volta ao beber. A volta aos lugares que costumam freqüentar é com a finalidade principal de beber com os companheiros em mais de 60% dos entrevistados. Quando desocupadas 64,70% das pessoas entrevistadas procuram fazer alguma coisa que inclue o beber. 52,95% bebem mais todos os dias igualmente, e 35,29% bebem mais nos finais de semana.

       Esse quadro pode sugerir que não há solução. Em casa com a família bebe-se. Fora de casa com os companheiros também se bebe. Quando desocupadas 64,70% das pessoas faz alguma coisa que inclui o uso de bebidas etílicas. A maioria respondeu que não bebe durante o trabalho, mas tem os finais de semana desocupados e aí pode beber à vontade. Os dados revelaram inexistência de programas sociais de orientação e lazer do doente de Alcoolismo, donde ser verdadeira a segunda hipótese.

       É oportuno ressaltar aqui que, a melhor maneira de corrigir um comportamento não é abandoná-lo; procedimento promissor é procurar substituí-lo por outro comportamento. Há necessidade de oferecer-se aos portadores de Alcoolismo os meios necessários para eles substituirem a conduta de bebedores por outras, agradáveis e salutares.

       Convém registrar-se aqui o reconhecimento de que não é apenas através do hospital que as pessoas acometidas de Alcoolismo são tratadas. Vários médicos já ajudaram um número de portadores de Alcoolismo a se tornarem não bebedores, atendendo-lhes fora de hospital, seja nos seus consultórios, seja nos ambulatórios públicos onde têm trabalhado. Conhece-se outro número de pessoas que sofriam de Alcoolismo e que a partir de um determinado dia em que disseram que não mais beberiam, de fato não mais beberam e se livraram do mal, isso sem necessidade de qualquer ajuda externa para fazer a mudança no seu estilo de vida, mas a maioria não consegue atingir novas formas de condutas.

       As 32,35% pessoas entrevistadas responderam que não sabem por que bebem. Somente 11,76% responderam que bebem por gostar. Realmente, a pergunta de por que e para que se bebe merece análise e é nela que certamente deve basear-se a sugestão de ajuda definitiva e eficaz para os portadores de Alcoolismo.



6. DIAGNÓSTICO CAUSAL

       Entende-se que Alcoolismo é um problema da pessoa e um problema da sociedade. Crê-se que a origem do Alcoolismo é um problema educacional e que só uma reforma educatica poderá resolvê-lo. Educação é “processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social” (04). O Alcoolismo é fruto da anti-educação no meio social. A reforma educativa que se alude ser necessária é a do meio social, pois a escola, por mais baixa qualidade de ensino que tenha, procura formar atitudes saudáveis no educando.  É uma reforma que deverá se apoiar na família e nos hábitos sociais. Neste trabalho, no entanto, os propósitos estão limitados a sugerir  procedimento para ajudar as pessoas que se livrem do Alcoolismo e a se manterem para sempre sem beber, evitando novos períodos de etilismo.

       Ha muitos séculos que a religião descobriu e pratica o conhecimento de que a educação precoce dá resultados que satisfazem os propósitos educacionais. Nas religiões cristãs, por exemplo, é mais ou menos assim: logo pequenina a criança é batizada e os pais e padrinhos assumem o compromisso de educá-la na religião, segundo seus ensinamentos. Depois vem o catecismo, curso elementar de educação religiosa por perguntas e respostas, ensino dos dogmas e preceitos da religião. Pela freqüência ao templo e nas práticas domésticas, a solenidades e os rituais fortalecem os ensinamentos religiosos. A prática dos ensinamentos religiosos fortalece progressivamente a religiosidade. Como com outras coisas, a religiosidade se fortalece com o próprio exercício. E estabelecida a programação religiosa, esta passa a dirigir as ações da pessoa, a qual sem mais refletir, sabe que tem locais e momentos de orar, e reza; apela para Deus nos momentos apropriados e de modos não refletidos, automaticamente; aprendeu o que é certo, bom e permitido, aprendeu o que não deve ser feito ou pensado, e fica toda a vida a agir de acordo com essas aprendizagens.

       Essa educação religiosa é um exemplo de educação extra-escolar. Entende-se que a anti-educação que leva ao Alcoolismo, é um processo semelhante ao da educação religiosa que foi sumariado.

       A criança cresce num meio onde as pessoas grandes, sempre que têm motivo para alegria, tristeza, frustração, raiva, amor e outros sentimentos, bebem. E como a existência pessoal a todo momento inclui algum sentimento, sempre há motivo para beber. A criança cresce escutando e sendo estimulada pelos meios de comunicação de massa que beber é coisa de gente grande e feliz. E a criança se programa para quando ficar grande passar a beber. Aprende também, de tanto escutar os adultos dizerem e de os ver praticando esta crença, que as bebidas alcoólicas eliminam as tensões do dia a dia. E a programação se amplia: quando for grande e experimentar tensões, beber aliviará. A criança cresce aprendendo que toda festa e comemoração incluem o uso de bebidas alcoólicas. E entre inúmeras outras coisas, a criança aprende, de tanto ver e ouvir, que bebida é um bom objeto para se presentear, para agradar outra pessoa, tanto melhor quanto mais cara for a bebida, a qual é especialmente boa quando é importada de outro Estado ou de outro país.

       E depois que a criança se torna gente grande, quando já tem liberdade para imitar os outros, pensando que está fazendo o que quer, quando tem comemorações a fazer, por exemplo pelo final exitoso do ano escolar, ou pela aprovação no vestibular, pela boa safra agrícola ou pelo batizado da criança, ou pela vitória do seu time preferido de futebol e por um sem números de outras coisas bem ou mal sucedidas, a pessoa recorre ao uso de bebidas alcoólicas, pois está programado no seu cérebro que é bebendo que se lida com todas essas coisas. E do mesmo modo que a programação religiosa leva a pessoa a chamar por Deus em determinados momentos, de uma maneira automática, a programação relativa à bebida alcoólica impele a pessoa a beber automáticamente, sem refletir nem mesmo nas conseqüências das bebedeiras anteriores. A pessoa aprendeu ao longo de toda a sua vida que é assim que se faz e tende a ficar sempre fazendo assim. É como respondeu aquele entrevistado: “Não sei por que bebo; parece que tem alguma coisa que me atenta, é uma vontade incontrolável”. É a programação dirigindo a pessoa.

       E a medicina não pode, sozinha, alcançar todo esse processo de programação de vida e modificá-lo. Pelo menos até hoje não foi capaz de fazê-lo. Acredita-se que a tarefa não cabe somente a ela.

       Tem-se feito com o Alcoolismo doença, coisa semelhante ao que se faz com portadores de verminoses, isto é, tratam-se os doentes com medicamentos eficazes mas não se faz simultaneamente a prática de um programa de higiene pessoal e ambiental. Algumas das pessoas assim tratadas não mais ficarão doentes, mas a grande maioria tornará a se contaminar, por se manter no mesmo ambiente e com os mesmos hábitos, e adoecerá de novo. Uns poucos portadores de Alcoolismo depois de tratados não voltarão a beber e ficarão bons para sempre, mas a grande maioria volta a beber e ficar doente novamente. Só o tratamento médico ou médico-hospitalar do portador de Etilismo não produz, na porcentagem querida e necessária, curas definitivas.

       O que deve ser feito com relação ao antes é a manutenção da cultura do álcool ? Cultura é “o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade” (04). É a anti-educação a qual está presente na cultura do álcool a que precisa ser alvo de modificações para que o problema do Alcoolismo possa ser resolvido satisfatóriamente e neutralizar este tipo de cultura.

       Tem-se visto repetidamente pessoas formadas na cultura do álcool chegarem doentes ao hospital para, depois de algum tempo de tratamento e clínicamente boas, serem devolvidas para o mesmo ambiente de onde vieram, aí novamente voltarem a beber e tornarem a ficar doentes, e de novo serem hospitalizadas. Esse círculo vicioso que progressivamente prejudica o doente, sua família e seu grupo social, continuará produzindo esse indesejável efeito, enquanto algo ampla e realmente eficaz não for feito com relação ao antes e ao depois do Alcoolismo doença propriamente dita.

7. TRATAMENTO COM O CLAREPA

       Como está demonstrado pelos resultados das entrevistas realizadas, tratar o portador de Alcoolismo, no hospital ou fora dele, e depois deixá-lo sem suporte adequado no ambiente comum da cultura do álcool, nos mesmos lugares e com as mesmos amigos, não produz os resultados desejados, os quais seriam as pessoas se manterem definitivamente abstêmias e levando uma vida satisfatória.

       Trazer a associação antialcoólica para dentro do hospital, como já é feito, a prática já mostrou que os resultados também estão muito longe do desejado, que é a cura em larga escala.

       Antes de expor as características do CLAREPA (Centro de Lazer e Apoio Reeducativo a Ex-Portadores de Alcoolismo), far-se-ão considerações necessárias para que as idéias e a sugestão apresentadas venham a ser bem compreendidas por todos e possam ser adequadamente avaliadas.

       Até quando uma pessoa tem Dependência do Álcool ? Existem respostas diversas para essa pergunta. Pretende-se deixar claro aqui uma resposta e justificá-la. Julga-se que depois que pára de beber por um tempo significativo a pessoa deixa de ser uma portadora de Alcoolismo, e só não ficará assim para sempre se voltar a beber de modo continuado e prejudicial. Era uma doente e deixou de sê-lo. Era um problema da alçada da medicina e não o é mais. Escolhe-se esse entendimento por se achar que ele é positivo, auxíliador, salutar. Ser portador de Alcoolismo e ser ex-portador de Alcoolismo faz diferença do tipo: o portador bebe e dele se espera que beba; o ex-portador é uma pessoa que parou de beber e dela se espera que não beba. Esse entendimento é o comum em relação às outras doenças.

       Lembra-se que essa concepção de ex-portador de Alcoolismo é radicalmente diferente da adotada pelas organizações do tipo associação antialcoólica. Para elas, mesmo depois que pára de beber por um tempo significativo e mesmo não mais sendo bebedora, a pessoa é considerada doente. Ela seria portadora de uma doença “incurável, evolutiva e fatal”. Acredita-se que essa afirmação das associações antialcoólicas poderá induzir certas pessoas a acreditarem que têm o destino de beber e, em conseqüencia, virem a se entregar ao uso de bebidas etílicas. E não é necessário ser médico para verificar que o Alcoolismo não é uma doença incurável. Qualquer pessoa boa observadora pode conhecer algumas outras que um dia, após um tratamento e até mesmo sem tratamento (através de um núcleo de associação antialcoólica, por exemplo), disseram que não mais iriam beber, levaram em frente o propósito anunciado e não mais tiveram a doença. Se Alcoolismo fosse uma doença incurável isso não poderia ser feito. Não se pode curar uma doença incurável, e especialmente não, através de apenas um mantido ato de vontade.

       Ressalta-se aqui o seguinte: no Alcoolismo a pessoa e a sua comunidade são ativas participantes na geração da doença. Reconhecer isso e organizar as ações a partir desse reconhecimento é indispensável para a definitiva cura do portador de Alcoolismo, em nível de saúde coletiva.

       Escuta-se com certa freqüência a afirmação de que a medicina não resolveu o problema do Alcoolismo. Entende-se o que as pessoas estão querendo dizer, e acredita-se que elas não estão suficientemente conscientes do que afirmam. A parte do Alcoolismo que cabe à medicina tem sido eficazmente manejada por médicos. As pessoas precisam é se dar conta de que a assistência ao ex-portador de Alcoolismo, para ser completa e definitivamente resolutiva, precisa mais do que apenas ações médicas. É necessário que o depois da doença seja bem trabalhado.

       Terminado o tratamento médico é necessário proceder-se a reeducação do ex-portador de Alcoolismo. E essa reeducação, absolutamente indispensável do ponto de vista coletivo, só poderá ser eficaz se contar com ativa participação da comunidade. Além de ser necessária a sua participação, a comunidade que mantém a cultura do álcool tem o dever de corrigir os desacertos dessa mesma cultura.

       Quando uma pessoa está com cirrose hepática alcoólica, com pelagra ou com polineurite alcoólicas, ou quando está com uma das psicoses alcoólicas, é claro que a solução de tais quadros exige a ação de profissionais da medicina. Aí as pessoas estão doentes. E terminado o trabalho médico, o que é que se tem para fazer ? Para exemplificar, seja o caso de um ex-portador de Alcoolismo que sai de um frenocômio, desintoxicado, depois de mais de 60 dias internado e sem beber, sem as manifestações psicóticas que apresentava na época da internação, já físicamente recomposto, sabedor de que chegou àquele ponto em conseqüência do seu beber, avisado de que se voltar a beber adoecerá novamente, com essa pessoa o que é que se tem feito e o que é necessário se fazer ?

       O que se tem feito é devolvê-lo ao meio de onde ele veio. Lá ele volta a cumprir o programa de vida que aí elaborou, inclusive usar bebida alcoólica nas situações e dos modos aprendidos no passado, e mais tarde estará doente de novo e outra vez voltando ao hospital. Esse processo anula o trabalho médico realizado.

       O que é necessário fazer é envolver toda a comunidade no sentido de ajudar a pessoa a continuar sem beber para sempre. Isso será um processo reeducativo. Seu bom resultado dependerá da própria pessoa e do suporte que a comunidade lhe der. À pessoa serão necessários meios e ações que lhe ajudem a elaborar e por em prática um novo programa de vida. Isso é mais que um processo psicoterápico, é também um processo socioterápico, pois o grupo social terá influência resolutiva.

       A velha programação de vida que precisa ser modificada, de modo resumido estabeleceu-se assim: na comunidade onde cada um de nós cresceu, aprendemos a chamar por Deus em horas bem determinadas. E passamos a usar essa aprendizagem durante toda a nossa vida. Usamo-la nos momentos “certos”, automáticamente e sem necessidade de reflexão. Somos compelidos a chamar por Deus em certas situações. Na mesma comunidade cada um de nós aprendeu, também, que se a autoridade nos surpreender no erro é perigoso. Isso fica programado em nosso cérebro. E um exemplo de funcionamento desse programa é quando um guarda nos surpreende com excesso de velocidade numa rodovia: o nosso coração dispara, sentimos medo, automáticamente diminuímos a velocidade do veículo, e começamos a imaginar uma desculpa. Tudo isso acontecendo como quando éramos pequenos e nossos pais nos pegavam num erro. É também na mesma comunidade que nós aprendemos que as festas e comemorações incluem o uso de bebida alcoólica, aprendemos que a bebida é coisa de gente grande, aprendemos que ela diminui a tensão emocional e a tensão física causadas pelos problemas do dia a dia etc.. Este é um outro programa que fica bem definido e registrado no nosso cérebro. E tempos depois, quando já somos gente grande e vamos comemorar a formatura no colegial, ou o noivado, ou o bom êxito no ano escolar, o sucesso na atividade profissional, o natal, o aniversário, o ano novo, ou o carnaval, quando precisamos relaxar-nos das tensões do cotidiano, automáticamente fazemos o que está programado para ser feito nessas diversas ocasiões, bebemos. Bebemos de modo compulsivo, não de modo essencialmente voluntário. É esse aspecto de compulsividade que impede os portadores de Alcoolismo continuarem sem beber após um tratamento hospitalar bem sucedido. Um dos entrevistados respondeu à pergunta “por que você bebe?”,  “não sei, parece que é uma coisa que me atenta, é uma vontade incontrolável”.

       A sociedade tem o dever moral de ajudar o ex-portador de Alcoolismo a elaborar um novo roteiro de vida que inclua ele não mais beber ? A sociedade tem esse dever sim. Sugere-se o CLAREPA como um meio suficiente para a sociedade cumprir esse seu importante papel.

       O CLAREPA, Centro de Lazer e Apoio Reeducativo a Ex-Portadores de Alcoolismo, é uma instituição a ser criada e mantida pelo governo municipal e pela comunidade. É como um clube social, sendo que nele não se vende nem se permite o uso de bebidas alcoólicas, nem a permanência de pessoa sob o efeito de álcool. Funcionará como local de lazer e como um centro de reeducação psicoterápica e socioterápica para ex-portadores de Alcoolismo e como local de lazer para seus familiares. O CLAREPA terá lanchonete, quadras esportivas, diversos jogos de mesa, parque infantil, sistema de som, tv e vídeo, salão de festas e salas de reunião.

       O CLAREPA terá uma Coordenação Técnica e um Coordenação Administrativa remuneradas as quais deverão sempre se adaptar as reais necessidades da instituição. Os funcionários que no entender da Coordenadoria Técnica e/ou da Coodenadoria Administrativa, e dos usuários, forem julgados necessários serão providos pelo governo municipal ou por qualquer segmento da comunidade que espontaneamente ou convidado assuma o compromisso de fazê-lo.

       As atividades reeducativas, psico e socioterápicas serão atribuições da Coordenadoria Técnica, dentro de um programa periodicamente submetido à Assembléia Geral do CLAREPA.

       O funcionamento da instituição obedecerá a regras experimentadas, combinadas e fixadas pelos usuários, em acordo com a Coodenadoria Administrativa. Referidas regras, modificadas sempre que necessário, comporão o Regimento Interno do CLAREPA.

       A freqüência  à instituição não terá custo para o usuário. O direito de freqüência é dado pela condição de ex-portador de Alcoolismo ou familiar dele, e reconhecido através da apresentação da Carteirinha Individual do CLAREPA. Para a obtenção desta o interessado, ou o seu responsável no caso de menores ou semelhantes, dirigirá uma solicitação escrita em formulário do CLAREPA à sua Coodenadoria Administrativa, manifestando o desejo de usufruir os benefícios proporcionados pela instituição, e assumindo os deveres exigidos pelo Estatuto e Regimento Interno do CLAREPA.

       A Análise Transacional tem como um de seus fundamentos a crença de que As Pessoas São OK, isto é, tendo meios que lhes dêem suporte e orientação saudável e correta, todas as pessoas têm condição de pensar, sentir e agir de maneiras adequadas, saudáveis, construtivas e cooperadoras. É a chamada Posição Existencial Eu Sou OK Você É OK, para a adoção da qual o CLAREPA oferecerá o ambiente e os estímulos necessários.

       Também a Análise Transacional, baseada nos modernos estudos sobre as necessidades humanas, sistematiza que as pessoas têm, entre outras, as três seguintes:

     Fome de reconhecimento vindo do outro, ou carícia

     Fome de estruturação do tempo

     Fome de incidentes

       
       O CLAREPA proporcionará aos seus freqüentadores, local e orientação, através das atividades de lazer e reeducativas, para que as estimulações usadas sejam predominantemente positivas, para que a estruturação do tempo seja feita de modos salutares, e para que a fome de incidentes seja satisfeita com acontecimentos positivos.

       Exercitando uma existência na Posição de Vida Eu Sou OK Você É OK, e satisfazendo as referidas fomes de modos salutares, as pessoas se fortalecerão cada vez mais e cada vez menos se voltarão para o uso de bebidas alcoólicas.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

       01-AMERICAN PSYCHITRIC ASSOCIATION. Manual de diagnóstico e estatística de distúrbios mentais. Tradução de Lucia Helena Siqueira Barbosa. 3ª ed. revista. São Paulo: Manole, 1989. 602p. Tradução de: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders DSM-III-R (third Edition-Revised).

       02-BERNE, Eric. Qué dice usted después de decir “hola” ?. Tradução de Neri Daurella. 9ª ed. Barcelona: Ediciones Grijalbo, 1979. 491p. Tradução de: What Do You Say After You Say Hello ?.

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       04-FERREIRA, Aurélio Buarque De Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 1838p.

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       07-TALBOTT, John, HALES, Robert, YUDOFSKY, Stuart. Tratado de psiquiatria. Tradução de Maria Cristina Monteiro Goulart e Dayse Batista. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1992. 1003p. Tradução de: Textbook of Psychiatry.

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