SUGESTÕES PARA EDUCADORES VISANDO ENCONTROS E DISCUSSÕES EM NÍVEL DE PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS, COM ESTUDANTES E PÚBLICO NÃO ESPECIALIZADO

 

Paulo Fernando M. Nicolau
Prof. de Psicologia Médica, Psicopatologia e Psiquiatria da UNOESTE

 

" HÁ GRANDES PESSOAS QUE FAZEM COM QUE TODAS SE SINTAM PEQUENAS. MAS A VERDADEIRA GRANDE PESSOA É AQUELA QUE FAZ COM QUE TODOS SE SINTAM GRANDES " .

Chesterton (1874-1936)

 

A O.M.S. (Organização Mundial de Saúde) - já definiu o abuso de drogas como uma doença social epidêmica, isto é, uma verdadeira epidemia social.

· Agente ( a droga )
· Hospedeiro (o jovem)
· Ambiente Favorável (o meio social)

 

Objetivos :

  • Nossa intenção não é a de ensinar o professor a dar aulas. Isso ele já sabe. O que pretendemos é informá-lo cientificamente sobre a questão da droga, passar metodologias de trabalho, planejamento de atividades e material didático.
     

  • Fazer com que todas as disciplinas do Currículo Universitário e Escolar abordem a prevenção do abuso de drogas.

  1. O professor tem que se sentir à vontade e seguro para atuar.
      

  2. A pressão do grupo é uma força poderosa nos jovens e pode ter uma influência tanto negativa como positiva. O segredo é saber orientá-la ou dirigi-la no bom sentido.
     

  3. A adolescência (que pode eventualmente se arrastar até o fim da terceira década) coloca o jovem em situação de risco diante das drogas.
     

  4. Lembrar que para uma pessoa com dificuldades o abuso de drogas pode significar, por algum tempo, uma melhora na qualidade de vida, até que surjam as conseqüências desse abuso e do fato de não ter ainda resolvido o problema, quando então tudo se soma, agravando ainda mais sua situação.
     

  5. Nas discussões deve-se destacar a necessidade de conscientização de que o problema das drogas é, antes de tudo, um problema humano.
     

  6. O que importa não é o problema das drogas, mas sim, os problemas humanos tais como os existenciais, sociais, profissionais, afetivos, entre outros. (Esses problemas podem levar as pessoas à agressividade, violência, sexualidade mal-exercida e com culpa, alcoolismo ou abuso de outras drogas).
      

  7. Qualquer trabalho de prevenção vai implicar sempre no crescimento e no desenvolvimento do ser humano. Assim, ao fazermos prevenção às drogas, estamos realizando ou auxiliando na prevenção dos problemas da sexualidade, delinqüência e problemas mentais. Qualquer prevenção é um processo educacional de desenvolvimento humano e mobilização social.
     

  8. Uma linguagem que o jovem aceita bem é a linguagem da ciência.
     

  9. A informação jornalística sobre drogas ainda tem preocupação com a notícia em si e não com a "prestação de um serviço público".
     

  10. Evitar divulgar informações de forma que possam despertar a curiosidade de experimentação.
     

  11. Evitar que informações com o intuito de prevenir façam "subliminarmente" publicidade da droga.
     

  12. O jovem de hoje tem acesso fácil a informações distorcidas e ambíguas sobre a droga, “droga não faz mal, dá prazer, e pode-se parar quando quiser, tanto que muitos países a liberaram”, etc. Por outro lado, há informações conservadoras que lhe afirmam que a “droga mata, aleija, cada cigarro fumado encurta sua vida em um ano, quem usa droga não se recupera mais, etc.” 
     

  13. Desfazer a expectativa de que se pode fazer uso das drogas e após um determinado período, deixar de usá-la sem graves conseqüências.
     

  14. Cautela para que ex-usuários não sejam tratados como figuras heróicas(ídolos) , o que pode em alguns casos encorajar o uso da droga. A participação de ex-usuários e seus depoimentos sobre hábitos comuns, precisam ser revistos quanto ao seu real benefício.
     

  15. A prevenção do abuso de drogas deve ser baseada no desenvolvimento humano, fator esse que contribuirá para o equilíbrio social e  na qualidade de vida.
     

  16. Destacar que os riscos são para todos, portanto não existe pessoa imune ou “resistente”. A única maneira de evitar a doença é “não se contaminar”.
     

  17. Tratar do assunto de maneira franca, objetiva, utilizando informações técnicas e precisas. O exagero e as distorções, no intuito de impressionar podem trazer efeitos contrários ao desejado - a informação inexata gera desconfiança e dúvidas sobre a veracidade das demais emitidas pelo orientador.
     

  18. Não se deve exagerar sobre os efeitos da droga criando um terrorismo farmacológico, nem subestimar os seus efeitos. A prevenção é feita pela consciência e pelo senso crítico - jamais pelo medo.
     

  19. O Educador tem de evitar a "vala" comum da linguagem inadequada no trato da questão da droga como: atitudes moralistas, autoritárias, ideológicas ou chantagens.
     

  20. Lembre-se que drogas e sexo são tabus em nossa sociedade. Não existem regras gerais para estes temas. O educador deve perceber os juízos de valores do grupo antes de estimular uma discussão sobre temas que possam gerar reações de oposição impedindo desse modo o desenvolvimento construtivo dos trabalhos. É necessária uma modificação gradual dos conceitos para evitar resistências desnecessárias - a ciência é o prolongamento do bom senso.
     

  21. Alguns jovens buscam nas drogas despertar a atenção que não tiveram da família substituindo esta atenção, ainda que de maneira doentia, por outras formas de atenção e prazer.
     

  22. Educadores e pais têm quatro armas contra o abuso de drogas : amor, compreensão, diálogo e informação.
     

  23. O abuso de drogas não é apenas um problema farmacológico e policial. Esta é uma visão ultrapassada da questão.
     

  24. As drogas de fato não são os verdadeiros problemas mas sim o ser humano, que em função de suas dificuldades encontra formas inadequadas de se adaptar ou de tentar sofrer menos e inconscientemente acaba por vitimar-se ainda mais.
     

  25. A prevenção do abuso de drogas deve ser uma atividade interdisciplinar que permite abordagens e discussões nas áreas da sociologia, psicologia, pedagogia, farmacologia e das ciências econômicas e políticas para se conhecer a intimidade da questão, entre outras, em função da diversidade de fatores que envolvem a Farmacodependência.

 

A MÁ INFORMAÇÃO É MAIS DESESPERADORA
QUE A NÃO INFORMAÇÃO " .