Raízes Prudentinas - Benjamin Resende /
Presidente Prudente : Ed.do autor, 2006




            Quatro décadas são passadas de sua fundação. São quarenta anos de bons serviços à comunidade prudentina e regional. Reportando-se à sua criação, vê-se a luta e o ideal de alguns médicos, que procuravam, na década de cinqüenta, consolidar a medicina em Presidente Prudente. Eram altruístas. Ao criarem um hospital, não pensavam no vil metal, como forma de aumentá-lo, mas que desse à medicina amplo espectro de ações e com uma visão integrada do ser humano. Assim, os médicos Gabriel Costa Neto, Cícero Campos Gurgel, Américo Di Migueli, Adoniro Cestari, Enio Botelho Perrone, Jacomino Leonardo Cerávolo, Haroldo Cerávolo e Odilo Antunes Siqueira se dispuseram a fazer uma sociedade, com o objetivo de construir um Hospital, para prestar assistência a pessoas portadoras de transtornos mentais.

 

            Escolhido o local, acima do antigo Campo de Aviação, quase às margens da Estrada de Ferro Sorocabana, distante do centro, de frente para a rua Cel Albino, aos poucos, a estrutura física do hospital começou a surgir. A expectativa era grande. Tudo foi planejado adequada e especificamente, para tratamento e proteção dos doentes mentais. Inaugurou-se a obra, o Hospital São João, em 1957. Profissionais especializados foram contratados, entre eles, o Dr. Martela e o Dr. João Nicolau. Todavia, face à complexidade das doenças mentais e a especialização exigida, o controle acionário do Hospital passou, em 1963, para as mãos do Dr. João Nicolau, especialista e também já proprietário do Hospital Shangri-lá, em Londrina, que atendia, de há muito, pacientes prudentinos. Continuou ele, com dedicação e inspiração divina, a obra iniciada pelos médicos pioneiros.

 

            Em 1965, o renomado psiquiatra, Dr. Carlo Ceriani, assumiu a direção do “São João”, vindo do Hospital Estadual de Doenças Mentais de Juquiri. Implantou-se uma nova fase, cuja atuação se expandiu por boa parte da região oeste de São Paulo. Com o falecimento do proprietário, Dr. João Nicolau, em 1968, continuaram o Dr. Carlo Diretor e o sr. João Flávio de Moraes a exercer a direção administrativa. Nesse período, grandes médicos humanitários passaram a oferecer os seus préstimos ao Hospital, salientando, entre eles, Italo Honório Cerávolo, Heleno Grillo, Mariza Fontão, Sinval de Souza Cruz, José Ronis da Paixão e Antônio Santana de Meneses.

 

            Formado médico, o filho do Dr. João Nicolau, Dr. Paulo F. Moraes Nicolau, começou a trabalhar no “São João”, em 1978, tendo como diretor o Dr. Ceriani. Com o afastamento deste, em 1982, Paulo Nicolau tornou-se o Diretor do Hospital até os dias de hoje. A atualização dos serviços médicos é uma constante. Sua estrutura é complexa e está preparada para dar respostas, nos níveis de atenção secundária e terciária, às pessoas portadoras de transtornos mentais, tratando suas manifestações psicopatológicas e sociais, tais como: psicoses funcionais, orgânicas, exotóxicas, reativas e outras, em regime ambulatorial e de internação.

 

            Nos dias atuais, mais do que nunca, um Hospital, como o São João, se faz necessário. No mundo pós-moderno, em que vivemos, com os atropelos do dia-a-dia, com a violência das ruas, das cidades e dos homens, com a violência entrando, via televisão, em todos os lares, é preciso ter uma mente sadia e equilibrada, para não se deixar influenciar e deixar o cérebro recolher, além de comparar, analisar e sintetizar, esse amontoado de informação vindo de fora para dentro. Nosso cérebro, tal qual ou melhor que qualquer computador, usa as intuições, gerando abstrações novas e inusitadas, para nos projetar no futuro, libertando-nos do presente. Eis a importância de nos conhecermos a nós mesmos.

 

            O Dr. Paulo Nicolau assinala que o Hospital São João “trata do doente mental ou dos transtornos mentais, observando a pessoa como um todo indivisível, sob seus aspectos biopsicossociais, visando ao binômio paciente-família. Nesse passo, releio Fernando Pessoa: “Nos vastos céus estrelados / Que estão além da razão, / Sob a regência de fados / Que ninguém sabe o que são, /Há sistemas infinitos, / Sóis centros de mundos seus”.

 
 

Dr João Nicolau







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