Itália: a reforma assistencial criou 1370 mini-hospitais de psiquiatria
Psiquiatria Hospitalar
Departamento de Psiquiatria da Federação Brasileira
de Hospitais – Outubro de 2005 – Ano 2 – nº 2



           Após a decretação da lei 180 de 1978, iniciou-se uma reforma voltada para desinstitucionalização de doentes mentais crônicos que se encontravam internados em anocrônicas instituições públicas, transferiram-se milhares deles para as residências supervisionadas, o que foi um caos com depredações dos locais e milhares de doentes abandonaram as casas ou dispersaram-se pelas ruas das cidades. O artigo “Residential care in Italy – National survey of non-hospital facilities”(British Journal of Psychiatric (2002), 181, 220-225), mostrou uma significativa mudança estrutural do modelo assistencial comunitário reportando-se que os Serviços Residenciais Não Hospitalares – NHRFs atendiam a duas necessidades básicas:acomodações alternativas para os doentes crônicos dos hospitais psiquiátricos públicos e para os doentes crônicos, mais jovens, retirados da comunidade. Em maio de 2000, existiam 1.370 Serviços Residenciais Não Hospitalares com 17.138 leitos e uma graúda equipe de 18.666 profissionais, incluindo: diretores para todas as “residências”, 1.522 psiquiatras, 943 psicólogos, 5.845 enfermeiras especializadas, 300 terapeutas em reabilitação psiquiátrica, 2.085 terapeutas ocupacionais, etc. Do estudo extrai-se outros dados interessantes: 58,5% dos moradores nunca estiveram internados em psiquiatria; basicamente não ocorrem altas nas unidades; e 73,4% das residências as equipes de trabalho funcionam nas 24 horas. Estas estruturas funcional e profissional impõem à compreensão de que, na prática, as “residências protegidas” são mini-hospitais de psiquiatria. Na Itália, depois de uma ampla desospitalização de doentes crônicos moradores em unidades públicas, existem 27.649 leitos psiquiátricos, 0,48 leitos/1000 hab e 1.370 mini-hospitais de psiquiatria com 17.138 leitos e hospitais de psiquiatria com 10.611 leitos, enquanto que no Brasil, atualmente, há apenas 0,28 leitos/1000 hab.