Transtornos Sexuais

      DSM.IV

Esta seção contém as Disfunções Sexuais, as Parafilias e os Transtornos da Identidade de Gênero. As Disfunções Sexuais caracterizam-se por uma perturbação no desejo sexual e nas alterações psicofisiológicas que caracterizam o ciclo de resposta sexual, causando sofrimento acentuado e dificuldade interpessoal. As Disfunções Sexuais incluem (em azul os títulos desta página, os demais estão nas outras):

Disfunções Sexuais
Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo
Transtorno de Aversão Sexual
Transtorno da Excitação Sexual
Transtorno da Excitação Sexual Feminina
Transtorno Erétil Masculino
Transtornos Orgásmicos
Transtorno Orgásmico Feminino
Transtorno Orgásmico Masculino
Ejaculação Precoce
Transtornos de dor Sexual
Dispareunia

Vaginismo
Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral
Disfunção Sexual Induzida por Substância
PARAFILIAS
Exibicionismo
Fetichismo
Frotteurismo
Pedofilia
Masoquismo
Sadismo
Fetichismo Transvéstico
Voyeurismo
Parafilia Sem Outra Especificação:
....escatologia telefônica, necrofilia, parcialismo,
....zoofilia, coprofilia, clismafilia e urofilia
Transtornos da Identidade de Gênero

As Parafilias são caracterizadas por anseios, fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos, atividades ou situações incomuns e causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Os Transtornos da Identidade de Gênero caracterizam-se por uma forte identificação sexual com o gênero oposto, acompanhada por desconforto persistente com o próprio sexo atribuído. O Transtorno Sexual Sem Outra Especificação é incluído para a codificação de transtornos do funcionamento sexual não classificáveis em qualquer das categorias específicas. Cabe notar que as noções de desvio, padrões de desempenho sexual e conceitos de papel apropriado para o gênero podem variar entre as culturas.

F52.3 - 302.73 Transtorno Orgásmico Feminino

      DSM.IV

(anteriormente Orgasmo Feminino Inibido)

Características Diagnósticas
A característica essencial do Transtorno Orgásmico Feminino é um atraso, ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo, após uma fase normal de excitação sexual (Critério A). As mulheres apresentam uma ampla variabilidade no tipo ou intensidade da estimulação que leva ao orgasmo. O diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino deve fundamentar-se no julgamento clínico de que a capacidade orgásmica da mulher é menor do que se poderia esperar para sua idade, experiência sexual e adequação da estimulação sexual que recebe. A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). A disfunção não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (inclusive medicamentos) ou de uma condição médica geral (Critério C).

Subtipos
Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados), para Transtorno Orgásmico Feminino.

Características e Transtornos Associados
Não foi encontrada qualquer associação entre padrões específicos de traços de personalidade ou psicopatologia e disfunção orgásmica em mulheres. O Transtorno Orgásmico Feminino pode afetar a imagem corporal, a auto-estima ou a satisfação com o relacionamento. De acordo com estudos controlados, a capacidade orgásmica não está correlacionada com dimensões vaginais ou vigor dos músculos pélvicos. Embora algumas mulheres com lesões da medula, remoção da vulva ou excisão e reconstrução vaginal tenham relatado orgasmos, uma disfunção orgásmica é encontrada com freqüência em mulheres com estas condições. Em geral, entretanto, as condições médicas crônicas como diabete ou câncer pélvico tendem mais a prejudicar a fase de excitação da resposta sexual, deixando a capacidade orgásmica relativamente intacta.

Curso
Uma vez que a capacidade orgásmica em mulheres aumenta com a idade, o Transtorno Orgásmico Feminino pode ser mais prevalente em mulheres mais jovens. A maioria dos transtornos orgásmicos femininos são ao longo da vida, ao invés de adquiridos. Uma vez que aprenda a atingir o orgasmo, uma mulher raramente perderá esta capacidade, a menos que haja a interferência de uma fraca comunicação sexual, conflitos no relacionamento, uma experiência traumática (por ex., estupro), um Transtorno do Humor ou uma condição médica geral. Quando a disfunção orgásmica ocorre apenas em certas situações, uma dificuldade com o desejo sexual e a excitação sexual freqüentemente estão presentes, além do transtorno orgásmico. Muitas mulheres aumentam sua capacidade orgásmica, à medida que experimentam uma maior variedade de estimulação e adquirem maior conhecimento sobre seus próprios corpos.

Diagnóstico Diferencial
O Transtorno Orgásmico Feminino deve ser diferenciado de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral, quando a disfunção é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de uma determinada condição médica geral (por ex., lesão da medula). Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais e exame físico. Se tanto um Transtorno Orgásmico Feminino quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico determina que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, então se aplica o diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino Devido a Fatores Combinados. Contrastando com o Transtorno Orgásmico Feminino, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., antidepressivos, benzodiazepínicos, neurolépticos, anti-hipertensivos, opióides). Se tanto Transtorno Orgásmico Feminino quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico considera que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, então se aplica o diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino Devido a Fatores Combinados. Se a disfunção sexual é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, aplicam-se os diagnósticos tanto de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto de Disfunção Sexual Induzida por Substância. O Transtorno Orgásmico Feminino também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (por ex., Transtorno da Excitação Sexual Feminina), sendo que, neste caso, ambas as condições devem ser anotadas. Um diagnóstico adicional de Transtorno Orgásmico Feminino geralmente não é feito se a dificuldade para atingir o orgasmo é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (Transtorno Depressivo Maior). Este diagnóstico adicional pode ser feito quando a dificuldade orgásmica antecede o transtorno do Eixo I ou é um foco de atenção clínica independente. Problemas orgásmicos ocasionais, não persistentes ou recorrentes ou não acompanhados de acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal não são considerados Transtorno Orgásmico Feminino. Um diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino também não se aplica se os problemas se devem a uma estimulação sexual inadequada em termos de foco, intensidade e duração.

Critérios Diagnósticos para F52.3 - 302.73 Transtorno Orgásmico Feminino

A. Atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo após uma fase normal de excitação sexual. As mulheres apresentam uma ampla variabilidade no tipo ou na intensidade da estimulação que leva ao orgasmo. O diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino deve fundamentar-se no julgamento clínico de que a capacidade orgásmica da mulher é menor do que seria esperado para sua idade, experiência sexual e adequação da estimulação sexual que recebe.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A disfunção orgásmica não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida Tipo Adquirido

Especificar tipo: Tipo Generalizado Tipo Situacional

Especificar: Devido a Fatores Psicológicos Devido a Fatores Combinados

 

F52.3 - 302.74 - Transtorno Orgásmico Masculino

     DSM.IV

 

(anteriormente Orgasmo Masculino Inibido)

Características Diagnósticas
A característica essencial do Transtorno Orgásmico Masculino é um atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo, após uma fase normal de excitação sexual. Ao julgar se o orgasmo é atrasado, o clínico deve levar em consideração a idade do indivíduo e se a estimulação é adequada em termos de foco, intensidade e duração (Critério A). A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). A disfunção orgásmica não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (inclusive medicamentos) ou de uma condição médica geral (Critério C). Na forma mais comum de Transtorno Orgásmico Masculino, um homem não consegue atingir o orgasmo durante o intercurso, embora possa ejacular com estimulação manual ou oral da parceira. Alguns homens com Transtorno Orgásmico Masculino podem atingir o orgasmo no coito, mas apenas depois de uma estimulação não-coital muito prolongada e intensa. Alguns conseguem ejacular apenas mediante a masturbação. Um subgrupo ainda menor experimenta orgasmo apenas ao despertar de um sonho erótico.

Subtipos
Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados), para Transtorno Orgásmico Masculino.

Características e Transtornos Associados
Muitos homens anorgásmicos no coito podem descrever que experimentam excitação no início de um encontro sexual, mas que as investidas da penetração tornam-se uma obrigação, ao invés de um prazer. Um padrão de excitação sexual parafílica pode estar presente. Quando um homem esconde da esposa sua falta de orgasmos no coito, o casal pode apresentar infertilidade de causa desconhecida. O transtorno pode resultar na perturbação de relacionamentos conjugais ou sexuais existentes. Os homens geralmente podem chegar ao orgasmo mesmo quando condições vasculares ou neurológicas interferem na rigidez erétil. Tanto a sensação de orgasmo quanto as contrações dos músculos estriados no orgasmo permanecem intactas em homens que perdem sua próstata e vesículas seminais através de cirurgia radical para câncer de próstata. O orgasmo também pode ocorrer na ausência de emissão de sêmen (por ex., quando os gânglios simpáticos são lesionados por cirurgia ou neuropatia autônoma).

Diagnóstico Diferencial
O Transtorno Orgásmico Masculino deve ser diferenciado de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quando a disfunção é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de uma determinada condição médica geral (por ex., hiperprolactinemia) (ver pp. 487-488). Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais ou exame físico. Os testes do limiar sensorial podem demonstrar uma redução da sensibilidade na pele do pênis devido a uma condição neurológica (por ex., lesões da medula, neuropatias sensoriais). Se tanto o Transtorno Orgásmico Masculino quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico julga que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, então se aplica o diagnóstico de Transtorno Orgásmico Masculino Devido a Fatores Combinados. Contrastando com o Transtorno Orgásmico Masculino, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., álcool, opióides, anti-hipertensivos, neurolépticos). Se tanto um Transtorno Orgásmico Masculino quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico julga que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, aplica-se o diagnóstico de Transtorno Orgásmico Masculino Devido a Fatores Combinados. Se a disfunção orgásmica é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, tanto Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto Disfunção Sexual Induzida por Substância são diagnosticadas. O Transtorno Orgásmico Masculino também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (por ex., Transtorno Erétil Masculino), sendo que, neste caso, devem ser anotadas ambas as condições. Um diagnóstico adicional de Transtorno Orgásmico Masculino em geral não é feito se a dificuldade orgásmica é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno Depressivo Maior). Um diagnóstico adicional pode ser feito quando a dificuldade orgásmica antecede o transtorno do Eixo I ou é o foco de atenção clínica independente. Diversos tipos de Disfunção Sexual (por ex., ejaculação, mas sem prazer no orgasmo, orgasmo que ocorre sem ejaculação de sêmen ou com extravazamento de sêmen ao invés de ejaculação por propulsão) seriam diagnosticados como Disfunção Sexual Sem Outra Especificação, ao invés de Transtorno Orgásmico Masculino. Problemas orgásmicos ocasionais não persistentes ou recorrentes ou não acompanhados de sofrimento acentuado ou dificuldade interpessoal não são considerados Transtorno Orgásmico Masculino. À medida que os homens envelhecem, é necessário um período maior de estimulação para atingir o orgasmo. O clínico também deve determinar se existe suficiente estimulação para atingir o orgasmo.

Critérios Diagnósticos para F52.3 - 302.74 Transtorno Orgásmico Masculino

A. Atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo após uma fase normal de excitação sexual durante a atividade sexual, que o clínico julga adequada em termos de foco, intensidade e duração, levando em consideração a idade da pessoa.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A disfunção orgásmica não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida Tipo Adquirido

Especificar tipo: Tipo Generalizado Tipo Situacional

Especificar: Devido a Fatores Psicológicos Devido a Fatores Combinados

 

F52.4 - 302.74 - Ejaculação Precoce

     DSM.IV

 

Características Diagnósticas
A característica essencial da Ejaculação Precoce é o início persistente ou recorrente de orgasmo e ejaculação com estimulação mínima antes, durante ou logo após a penetração e antes que o indivíduo o deseje (Critério A). O clínico deve levar em consideração fatores que afetam a duração da fase de excitação, tais como idade, novidade da parceira sexual ou situação e freqüência recente da atividade sexual. A maioria dos homens com este transtorno consegue retardar o orgasmo durante a automasturbação por um tempo consideravelmente maior do que durante o coito. As estimativas dos parceiros quanto ao tempo transcorrido desde o início da atividade sexual até a ejaculação, bem como sobre o fato de a Ejaculação Precoce ser ou não um problema, podem apresentar grande disparidade. A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). A Ejaculação Precoce não se deve exclusivamente aos efeitos diretos de uma substância (por ex., abstinência de opióides) (Critério C).

Subtipos
Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados) para Ejaculação Precoce.

Características e Transtornos Associados
Como outras Disfunções Sexuais, a Ejaculação Precoce pode criar tensão em um relacionamento. Alguns homens solteiros hesitam em procurar novas parceiras por medo do embaraço causado pelo transtorno, o que pode contribuir para o isolamento social.

Curso
A maioria dos homens jovens aprende a protelar o orgasmo com a experiência sexual e aumento da idade, mas alguns continuam ejaculando precocemente e podem buscar auxílio para o transtorno. Alguns homens são capazes de retardar a ejaculação em um relacionamento a longo prazo, mas experimentam uma recorrência da Ejaculação Precoce quando com um novo parceiro. Tipicamente, a Ejaculação Precoce é encontrada em homens jovens e está presente desde suas primeiras tentativas de intercurso. Quando o início ocorre após um período de um funcionamento sexual adequado, o contexto comumente envolve uma redução da freqüência da atividade sexual, intensa ansiedade quanto ao desempenho com uma nova parceira ou perda do controle ejaculatório relacionada à dificuldade em obter ou manter ereções. Alguns homens que cessaram o uso regular de álcool podem desenvolver Ejaculação Precoce porque se basearam no hábito de consumir álcool para adiar o orgasmo, ao invés de aprenderem estratégias comportamentais.

Diagnóstico Diferencial
A Ejaculação Precoce deve ser diferenciada de uma disfunção erétil relacionada ao desenvolvimento de uma condição médica geral. Alguns indivíduos com disfunção erétil podem omitir suas estratégias habituais de postergação do orgasmo. Outros necessitam de prolongada estimulação não coital para desenvolverem o grau de ereção suficiente para a penetração. Nestes indivíduos, a excitação sexual pode ser tão intensa que a ejaculação ocorre imediatamente. Problemas ocasionais de ejaculação precoce, não persistentes ou recorrentes ou não acompanhados de sofrimento acentuado ou dificuldade interpessoal, não se qualificam para o diagnóstico de Ejaculação Precoce. O clínico também deve levar em consideração a idade, experiência sexual geral, atividade sexual recente do indivíduo e novidade da parceira. Quando os problemas de Ejaculação Precoce se devem exclusivamente ao uso de uma substância (por ex., Abstinência de Opióide), aplica-se o diagnóstico de Disfunção Sexual Induzida por Substância.

Critérios Diagnósticos para F52.4 - 302.75 Ejaculação Precoce

A. Ejaculação persistente ou recorrente com estimulação sexual mínima antes, durante ou logo após a penetração, antes que o indivíduo o deseje. O clínico deve levar em consideração os fatores que afetam a duração da fase de excitação, tais como idade, novidade da parceira ou situação sexual e freqüência da atividade sexual recente.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A ejaculação precoce não se deve exclusivamente aos efeitos diretos de uma substância (por ex., abstinência de opióides).

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida Tipo Adquirido

Especificar tipo: Tipo Generalizado Tipo Situacional

Especificar: Devido a Fatores Psicológicos Devido a Fatores Combinados

 

F52.6 - 302.76 - Dispareunia

      DSM.IV

(Não Devido a uma Condição Médica Geral)

Características Diagnósticas
A característica essencial da Dispareunia é dor genital associada com o intercurso sexual (Critério A). Embora a dor seja experimentada com maior freqüência durante o coito, ela também pode ocorrer antes ou após o intercurso. O transtorno pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres. Em mulheres, a dor pode ser descrita como superficial, durante a penetração, ou profunda, durante as investidas do pênis. A intensidade dos sintomas pode variar desde um leve desconforto até uma dor aguda. A perturbação deve provocar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). O distúrbio não é causado exclusivamente por Vaginismo ou falta de lubrificação, não é melhor explicado por outro transtorno do Eixo I (exceto por outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (Critério C).

Subtipos
Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados) para Dispareunia.

Características e Transtornos Associados
A Dispareunia raramente é a queixa principal nos contextos de saúde mental. Os indivíduos com Dispareunia tipicamente buscam tratamento em contextos médicos gerais. O exame físico dos indivíduos com este transtorno tipicamente não demonstra anormalidades genitais. A experiência repetida de dor genital durante o coito pode provocar a esquiva de experiências sexuais, perturbando relacionamentos sexuais existentes ou limitando o desenvolvimento de novos.

Curso
A limitada quantidade de informações disponíveis sugere que o curso da Dispareunia tende a ser crônico.

Diagnóstico Diferencial
A Dispareunia deve ser diferenciada de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quando a disfunção é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de determinada condição médica geral (por ex., lubrificação vaginal insuficiente; patologia pélvica, como infecções vaginais ou do trato urinário, tecido vaginal com cicatrizes, endometriose ou aderências; atrofia vaginal pós-menopausa; privação temporária de estrógeno durante a lactação; irritação ou infecção do trato urinário, ou condições gastrintestinais). Esta determinação baseia-se na história, achados laboratoriais ou exame físico. Se tanto Dispareunia quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico considera que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, então se aplica um diagnóstico de Dispareunia Devido a Fatores Combinados. Contrastando com a Dispareunia, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância. Um orgasmo doloroso tem sido relatado com flufenazina, tioridazina e amoxapina. Se tanto Dispareunia quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico julga que a Dispareunia sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, então é diagnosticada Dispareunia Devido a Fatores Combinados. Se a dor sexual é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, tanto Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto Disfunção Sexual Induzida por Substância são diagnosticadas. A Dispareunia não é diagnosticada se causada exclusivamente por Vaginismo ou falta de lubrificação. Um diagnóstico adicional de Dispareunia em geral não é feito se a disfunção sexual é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno de Somatização). O diagnóstico adicional pode ser feito quando a dificuldade orgásmica antecede o transtorno do Eixo I ou se é um foco de atenção clínica independente. A Dispareunia também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (exceto Vaginismo) e, se os critérios para ambas são satisfeitos, ambas as condições devem ser codificadas. A dor ocasional associada com o intercurso sexual, não persistente ou recorrente ou não acompanhada de acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal, não é considerada Dispareunia.

Critérios Diagnósticos para F52.6 - 302.76 Dispareunia

A. Dor genital recorrente ou persistente associada com o intercurso sexual em homem ou mulher.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A perturbação não é causada exclusivamente por Vaginismo ou falta de lubrificação, não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida Tipo Adquirido

Especificar tipo: Tipo Generalizado Tipo Situacional

Especificar: Devido a Fatores Psicológicos Devido a Fatores Combinados