Outras Escolas Psicodinâmicas

 
Adolf Meyer
 

        Adolf Meyer (1866-1950) emigrou para os Estados Unidos após ter sido treinado como neuropatologista na Europa. Não interessado em metapsicologia adotou um método psicobiológico de senso prático para o estudo de transtornos mentais, enfatizando o inter-relacionamento de sintomas e funções psicológicas e biológicas individuais. Sua abordagem ao estudo da personalidade foi biográfica. Apesar de sua orientação biológica, apoiou o tratamento psicoterapêutico da esquizofrenia. Ele tentou levar pacientes psiquiátricos e seu tratamento para fora dos hospitais estatais isolados e para dentro das comunidades e também foi um forte defensor de ação social para saúde mental. Começou sua carreira como um patologista de hospital estatal clinicamente orientado e culminou na presidência da American Psychiatric Association e em um mandato de 32 anos como presidente do departamento de psiquiatria na Johns Hopkins University. Sua principal contribuição social foi ajudar a fundar o National Committec 011 Mental Hygiene.

        PSICOBIOLOGIA. Meyer opôs-se fortemente à visão de Emil Kraepelin de doença mental como tendo uma trajetória predeterminada. Ao invés disso, propôs um ponto de vista dinâmico. Sustentou que os padrões de reação habituais tornavam as pessoas suscetíveis a tipos específicos de colapso. Meyer usou estudo biográfico para entender os padrões de reação de cada pessoa. Ele observou padrões de reação, tentou prever as condições sob as quais eles poderiam ocorrer e testou e validou métodos para a sua modificação. Reconheceu as contribuições de Freud e Jung, mas pensava que elas eram demasiado limitadas. Um pragmático radical, ele preferia a experiência a construtos metapsicológicos como meio para entender e lidar com a psicopatologia.

        Meyer acreditava que, através de uma tendência básica em direção à integração, forças biológicas, sociais e psicológicas múltiplas contribuem para o desenvolvimento da personalidade. A pessoa vulnerável utiliza meios pobremente planejados, mal-adaptados. Meyer viu na abordagem biográfica um guia prático para extrair informações sobre o desenvolvimento da personalidade, para organizar a informação e checar e reavaliar informações obtidas sob circunstâncias diferentes. Seu exame clínico avaliava a história de vida de cada paciente; física, neurológica, genética e status social; e a relação entre estes fatores e fatores de personalidade. Um diagnóstico e um plano de tratamento individual eram embasados nesta avaliação.

        TRATAMENTO. A meta de sua terapia psicobiológica era ajudar pacientes a fazer a melhor adaptação possível às circunstâncias ambientais em mudança. Esta começava com o desenvolvimento de um relacionamento colaborativo. A partir do relacionamento colaborativo, vinha a análise distributiva, um exame dos fatores nas vidas dos pacientes que contribuíram para o seu ajustamento ou falta de ajustamento e concluía com uma síntese distributiva, ajudando os pacientes a entenderem a si mesmos e, por meio disso, desenvolver melhores habilidades de enfrentamento. O primeiro passo na análise distributiva é a exposição do próprio paciente dos problemas presentes. Os pontos fortes e fracos do paciente são então determinados extraindo a história de vida do paciente em termos das memórias imediatamente disponíveis e posteriormente completadas através da reconstrução de experiências passadas.

         A cooperação do aspecto saudável da personalidade do paciente é necessária e o tratamento é iniciado focalizando os pontos fortes do paciente. A terapia envolve medições psicológicas, químicas, físicas e ambientais conforme o necessário. Em casos severos, atenção é primeiro prestada aos hábitos do paciente de sono, nutrição e rotinas diárias que devem ser normalizados antes que qualquer trabalho psicológico possa ser realizado. Os pacientes são auxiliados a descrever suas dificuldades em detalhe. O terapeuta extrai as queixas ou preocupações dos pacientes e então pergunta o que ameniza ou piora suas queixas ou preocupações e que significado eles vinculam aos seus sintomas e preocupações. Ao fazer isso, o terapeuta tenta usar a própria linguagem e conceitos do paciente para comunicar sugestões e conselhos.

         Meyer não se importou com o inconsciente freudiano, ao invés disso, focalizou sobre o funcionamento do paciente na realidade. Tanto padrões adaptativos atuais como de longo prazo eram considerados. As sessões terapêuticas partiam de problemas óbvios e imediatos no presente para chegar a tópicos de longo prazo e dados históricos. Com orientação, os pacientes investigavam seus problemas de personalidade, apuravam a origem dos seus conflitos e trabalhavam para desenvolver padrões de comportamento mais úteis, o último denominado "treinamento de hábitos". Quando padrões adaptativos não saudáveis eram modificados, ajustamento apropriado e satisfação pessoal resultavam.