Sigmund Freud e a Psicanálise

 

Fonte: "Teorias da Personalidade"

Fadigman, James
Frager, Robert

(continuação da página anterior) 

 

Nota: Para efeito de homogeneização de vocabulário, preferimos adotar nesta tradução a terminologia da Edição STANDARD Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Freud em relação aos principais conceitos.

 

 

 

Conceitos Principais

 

Uma noite da semana passada, enquanto trabalhava com afinco, atormentado com exatamente a quantidade de dor que parece ser o melhor estado para fazer meu cérebro funcionar, as barreiras levantaram-se de súbito, o véu afastou-se e eu tive uma visão clara desde os detalhes das neuroses até as condições que tornam possível a consciência. Tudo parecia ligar-se, o todo funcionava bem em conjunto, e ter-se-ia a impressão de que a coisa era de fato uma máquina e logo andaria por si só... tudo isto estava perfeitamente claro e ainda está. Eu, é natural, não sei como conter meu prazer (Freud, carta a Fliess, 20 de outubro, 1895).

 

 

Subjacente a todo o pensamento de Freud está o pressuposto de que o corpo é a fonte básica de toda experiência mental. Ele esperava o tempo em que todos os fenômenos mentais pudessem ser explicados com referência direta à fisiologia do cérebro.

Freud sentia que seu próprio trabalho era freqüente apenas descritivo e que seria superado por pesquisas aperfeiçoadas em neurologia.

 

 

Determinismo Psíquico

Freud inicia seu pensamento teórico assumindo que não há nenhuma descontinuidade na vida mental. Ele afirmou que nada ocorre ao acaso e muito menos aos processos mentais. Há uma causa para cada pensamento, para cada memória revivida, sentimento ou ação. Cada evento mental é causado pela intenção consciente ou inconsciente e é determinado pelos fatos que o precederam. Uma vez que alguns eventos mentais "parecem" ocorrer espontaneamente, Freud começou a procurar e descrever os elos ocultos que ligavam um evento a outro.

 

Muitas das mais enigmáticas e aparentemente arbitrárias saídas da teoria psicanalítica são pressupostos biológicos, encobertos, ou então, deles resultam de forma direta (Holt, 1965, p.94).

 

 

Consciente, Pré-consciente, Inconsciente

"O ponto de partida dessa investigação é um fato sem paralelo, que desafia toda explicação ou descrição - o fato da consciência. Não obstante, quando se fale de consciência, sabemos imediatamente e pela experiência mais pessoal o que se quer dizer com isso" (1940, livro 7, p.30 na ed. bras.). O consciente é somente uma pequena parte da mente, inclui tudo do que estamos cientes num dado momento. Embora Freud estivesse interessado nos mecanismos da consciência, seu interesse era muito maior com relação às áreas da consciência menos expostas e exploradas, que denominava pré-consciente e inconsciente.

 

Inconsciente. A premissa inicial de Freud era de que há conexões entre todos os eventos mentais. Quando um pensamento ou sentimento parece não estar relacionado aos pensamentos e sentimentos que o precedem, as conexões estão no inconsciente. Uma vez que estes elos inconscientes. Uma vez que estes elos inconscientes são descobertos, a aparente descontinuidade está resolvida. "Denominamos um processo psíquico inconsciente, cuja existência somos obrigados a supor - devido a um motivo tal que inferimos a partir de seus efeitos - mas do qual nada sabemos" (1933, livro 28, p.90 na ed. bras.).

No inconsciente estão elementos instintivos, que nunca foram conscientes e que não são acessíveis à consciência. Além disso, há material que foi excluído da consciência, censurado e reprimido. Este material não é esquecido ou perdido, mas não lhe é permitido ser lembrado. O pensamento ou a memória ainda afetam a consciência, mas apenas indiretamente.

Há uma vivacidade e imediatismo no material inconsciente. Memórias muito antigas quando liberadas à consciência, não perderam nada de sua força emocional. "Aprendemos pela experiência que os processos mentais inconscientes são em si mesmos 'intemporais'. Isto significa em primeiro lugar que não são ordenados temporalmente, que o tempo de modo algum os altera, e que a idéia de tempo não lhes pode ser aplicada" (1920, livro 13, pp. 41-42 na ed. bras.).

A maior parte da consciência é inconsciente. Ali estão os principais determinantes da personalidade, as fontes da energia psíquica, e pulsões ou instintos.

 

Não há necessidade de caracterizar o que chamamos de "consciente": é o mesmo que a consciência dos filósofos e do senso comum (1940, livro 7, p.32, na ed. bras.).

 

 

Certas inadequações de nosso funcionamento psíquico e certas ações que são aparentemente involuntárias demonstram ser bem motivadas quando submetidas à investigação psicanalítica (Freud, 1901).

 

 

Pré-consciente. Estritamente falando, o pré-consciente é uma parte do inconsciente, mas uma parte que pode tornar-se consciente com facilidade. As porções da memória que são acessíveis fazem parte do pré-consciente. Estas podem incluir lembranças de tudo o que você fez ontem, seu segundo nome, todas as ruas nas quais você morou, a data da conquista da Normandia, seus alimentos prediletos, o cheiro de folhas de outono queimando, o bolo de aniversário de formato estranho que você teve quando fez 10 anos, e uma grande quantidade de outra